Archive | outubro, 2011
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Fé e Lei – Seg. 31/10

Quando Paulo dizia repetidamente que nem a circuncisão nem quaisquer outras “obras da lei” são pré-requisitos para a salvação, “pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2:16), a marca que caracteriza o cristão não são as obras da lei, mas a fé (Gl 3:7). Essa negação repetida das obras da lei levanta a questão: “Será que a lei não tem absolutamente nenhum valor, então? Será que Deus anulou a lei?”

É curioso saber que antes de ser proclamada no Sinai, a lei de Deus existia de forma oral e assim era passada de geração a geração. Ellen G. White afirma: “O conhecimento da lei de Deus e do plano da salvação foi transmitido a Adão e Eva pelo próprio Cristo. Eles guardaram cuidadosamente o importante conteúdo, transmitindo-o verbalmente aos filhos e aos filhos dos filhos. Assim foi preservado o conhecimento da lei de Deus.” Portanto, somente no tempo de Moisés a lei passou a existir de forma escrita.

O raciocínio de Paulo em Romanos 3 se assemelha à sua argumentação sobre fé e lei em Gálatas. Sentindo que seus comentários poderiam levar alguns a concluir que ele estava exaltando a fé em detrimento da lei, Paulo faz a pergunta retórica: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rom. 3:31).

Ao exigir e prover o sacrifício expiatório, o plano da justificação pela fé revela o respeito de Deus por Sua lei. Se a justificação pela fé anulasse a lei, não teria havido necessidade da morte expiatória de Cristo para libertar o pecador de seus pecados e, assim, restaurá-lo à paz com Deus.

Além disso, em si mesma, a fé genuína envolve uma disposição sem reservas para cumprir a vontade de Deus em uma vida de obediência à Sua lei… A fé verdadeira, com base no pleno amor pelo Salvador, só pode conduzir à obediência” (SDA Bible Commentary, v. 6, p. 510).

A proclamação da lei no Sinai não anulou a promessa que Deus fez a Abraão. O objetivo da lei não era acrescentar condições para que a promessa fosse cumprida. A condição continuou a ser apenas a fé. A lei foi dada de forma escrita e em meio à terrível solenidade do Sinai por causa da apostasia dos israelitas no Egito. Os oponentes de Paulo acreditavam que o propósito da lei era justificar, ou seja, trazer o livramento da condenação pelo pecado. Paulo explicou que o propósito da lei era mostrar com suficiente clareza a gravidade do estado pecaminoso dos israelitas e fazê-los ansiar pela vinda do Salvador prometido.

Que implicações haveriam se Paulo, na verdade, quisesse dizer que a fé anula a necessidade de guardar a lei? Por exemplo, o adultério, o roubo, ou até mesmo o assassinato deixariam de ser pecado? Pense na tristeza, dor e sofrimento dos quais você poderia se preservar se simplesmente obedecesse à lei de Deus. Que sofrimentos você ou outras pessoas têm experimentado, inteiramente como resultado da desobediência à lei de Deus?

Feliz semana!

Renan F. de Almeida

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Lei e Fé – A imutável promessa de Deus – Dom. 30/10

Texto base do dia: “Irmãos, humanamente falando, ninguém pode anular um testamento depois de ratificado, nem acrescentar-lhe algo. Assim também as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. A Escritura não diz: “E aos seus descendentes”, como se falando de muitos, mas: “Ao seu descendente”, dando a entender que se trata de um só, isto é, Cristo. Quero dizer isto: A lei, que veio 430 anos depois, não anula a aliança previamente estabelecida por Deus, de modo que venha a invalidar a promessa.
Pois, se a herança depende da lei, já não depende de promessa. Deus, porém, concedeu-a gratuitamente a Abraão mediante promessa.”
– Gálatas 3:15-18

PENSAMENTO: “A lei não justifica nem salva”. “A obediência à lei de Deus não fornece nada que uma pessoa possa ter para ser aceita diante de Deus”. CPCosaert.

Ora, sem fé é impossível agradar-lhe (Deus); porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. – Hebreus 11:6

É imprescindível antes de qualquer analise, observar o contexto bíblico da imutabilidade dos atos de Deus, Senhor absoluto da promessa que a lição se propõe a analisar e dela extrair exortações praticas para revigorar nossa fé e esperança. Vejamos:

“Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”. Malaquias 3:6

“ … O que eu disse, isso eu farei acontecer; o que planejei, isso farei”. – Isaías 46:11

Querendo mostrar de forma bem clara a natureza imutável do seu propósito para com os herdeiros da promessa, Deus o confirmou com juramento, para que, por meio de duas coisas imutáveis nas quais é impossível que Deus minta, sejamos firmemente encorajados, nós, que nos refugiamos nele para tomar posse da esperança a nós proposta. – Hebreus 6:17-18

É imutável a promessa uma vez que aquele que a proferiu é Senhor absoluto desse dom.

Definindo termos importantes ao nosso estudo: O que é Testamento? – Declaração de vontade de uma única pessoa; O que é Pacto? Acordo mutuo entre pessoas (duas ou mais);

O apostolo Paulo, dada a sua formação, tinha forte percepção do significado de ambos os atos e deu destaque relevante as características do pacto de Deus com Abraão.

Igual num testamento humano, Deus se refere a um beneficiário especifico:

Abraão e sua descendência (Gen 12:1-5; Gal 3:16) e carrega uma herança (Gen 13:15; 17:8; Rom 4:13), sem duvida, para o apostolo Paulo, o mais importante é a natureza imutável do pacto divino. O pacto de Deus é uma promessa, e de forma alguma podem ser quebradas (Gálatas 3:16; Isaias 46:11; Hebreus 6:18)

Sem duvida, o pacto inviolável de Deus feito com Abraão não é uma mera questão de antigüidade. Abrange na realidade todos os tempos, dado que não estava limitado somente a Abraao, senão que também se aplicava a sua descendência (Genesis 17:1-8)

Como aponta Donald Guthrie, “a autentica benção que foi legada a judeus e a gentios por igual foi feito unicamente em Cristo. Esta é a semente de Abraão por excelência, e todos os que estão Nele são igualmente filhos de Abraão”.

Gálatas 3:29 – E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.

Os Gálatas podem dizer o que quiserem da lei, mas a realidade é que Deus nunca se relacionou com Abraão partindo de tal base. O Senhor Deus a deu aos filhos de Israel muito tempo depois. A fé era o se requeria no pacto que fez com Abraao e sua descendência. Dizer agora que a lei é um requisito para receber a promessa de Deus significa que o Senhor não cumpriu sua promessa. Frank Matera resume muito bem o fundamento lógico da abordagem do apóstolo Paulo:

“Para Paulo, é inconcebível que a lei pudesse anular a promessa e atuar de codicilo (sm – lat codicillu, em direito: Aditamento que completa ou modifica disposições testamentárias) do testamento de Deus. Se assim fosse, Deus seria caprichoso. Se a lei anulou a promessa, Deus seria infiel consigo mesmo, igual a Abraão. Não, a lei apareceu bem mais tarde; foi promulgada no Sinai 430 anos depois que Deus havia ratificado seu testamento com Abraão. Portanto, por importante e santa que seja a lei, não pode adicionar ou anular o que Deus já havia prometido em juramento solene a Abraão”.

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. – Hebreus 11:1

Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. – Hebreus 11:8

Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. – Hebreus 11:17

Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. – Hebreus 11:33-34

“É importante lembrar que a lei de Deus deriva da natureza do código moral e caráter perfeitos de Deus. A lei de Deus é universal, transcendente e inspirada para nos exortar a viver total e completamente na sombra de Sua graça. A lei de Deus existe para nos instruir e orientar na maneira de nos aproximarmos do Divino e de obter uma compreensão mais rica e profunda de Seu amor. Como Paulo afirma em Gálatas 5:14, a lei se resume em uma só diretriz: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (NVI). Ter a lei de Deus no coração significa ter amor no coração (Sl 40:8). Uma comunidade de fé que tem a lei do amor no coração nunca poderá ser legalista, no sentido humano. Além disso, crença em Deus e foco em Seu dom de vida para nós, não podem fazer nada, a não ser inspirar em nós amor pelos outros, naturalmente, mostrando como a fé leva à lei do amor em nosso coração”. – LES Adultos, pág. 76

“A lei de Deus, proclamada em terrível majestade do Sinai, é a declaração de condenação ao pecador. A função da lei é condenar, mas não há nela nenhum poder para perdoar ou redimir”. (Comentários de Ellen G. White, SDA Bible Commentary, v. 6, p. 1.094).

Genário Julio Santos

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Foi por você – Qui. 27/10

Imagine carregar todos os seus pecados e por sua culpa, morrer para te salvar sendo que você nem existia ainda? É fácil lembrar-se de Cristo na cruz morrendo para nossa salvação. Desde pequeno ouvimos a história da morte de Cristo. Você vai crescendo com todas as histórias e promessas que isso acaba sendo algo natural em sua vida. Começa a não atingir mais seu coração e tudo passa a ser encarado como um acontecimento e morte de alguém comum.

Por vezes, decidimos que guardar a lei basta, ou para alguns, parte da lei. Nesta situação, onde está o conhecimento sobre quem é Cristo, onde está a graça?

Nós não temos ideia de tudo que Cristo carregou em seus momentos finais. É emocionante ler sua história, ver algum filme que relata todo o sofrimento, mas a verdade é que não fazemos ideia do que ele passou. Somente um Deus suportaria até o fim, todo o sofrimento e angustia além da carga pesada em suas costas de tudo que você iria fazer em sua vida.

Quem mais poderia permanecer firme, só e desamparado pelo seu Pai e suportar toda essa pressão se não o filho do Deus vivo? Somente um Deus poderia salvar nossa raça caída. Somente um Deus teria a capacidade de olhar para você e lhe perdoar dando-lhe a oportunidade de salvação.

Onde está sua gratidão? Cristo não classificou as pessoas para quem iria morrer. Ele simplesmente o fez. Quanto tempo tem você perdido com outras coisas que estão substituindo aquele que morreu por você? O que tem sido mais importante em sua vida do que passar a conhecer realmente o que Cristo tem para lhe mostrar?

Em Galatas 3 Paulo está querendo saber quem está mudando sua mente para desviar sua atenção Daquele que morreu por você, pois ele está esperando a chance de poder fazer parte da sua vida.

Retire os obstáculos que estão ofuscando seu caminho. Valorize o que Cristo fez por você. Você pode ter perdido algumas lutas, mas a batalha já foi ganha por Cristo no dia em que ele mudou a história do mundo por sua causa. Mude a sua história e seja um vencedor ao lado do seu Criador.

Fernando de Oliveira Carvalho

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Confiança Cega – Qua. 26/10

Contexto

As Escrituras mostram que antes de migrar para a Palestina, Abrão teve duas residências. Passou seus primeiros anos de vida em Ur e então um longo período em Harã. Cada uma dessas comunidades foi o seu lar. Ele teve de deixar amigos, vizinhos, e parentes quando saiu de Ur e o mesmo ocorreu ao abandonar Harã.

Abrão recebeu a ordem de “renunciar às certezas do passado, enfrentar as incertezas do futuro, olhar e seguir a direção da vontade de Deus.” — Bispo Ryle. Gênesis na Cambridge Bible, pág. 155. O Senhor D’us não diz para qual terra Abrão deveria ir, nem ao menos descreve o local onde terminaria sua jornada. Uma promessa é feita não baseada no que Abrão conhecia sobre a Lei do Senhor, mas com base na enorme fé que residia Nele.

Abrão, sê tu uma bênção (bereikâ)! A forma imperativa aponta para uma consequência – “para que sejas uma bênção”. O ilustre viajante que partiu da Mesopotâmia politeísta para uma jornada que mostraria não somente características únicas do D’us que o chamara, mas a provas da enorme fé construída Nele. Ele e seus descendentes constituiriam um canal pelo qual Deus abençoaria todos os povos da terra.

O Evangelho Segundo Abraão

“O reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou.” Mateus 13.44-46

Aceitar a Cristo em sua vida é dizer que nada possui maior valor que Ele. Passamos a “considerar tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas.” (Filipenses 3.7) Se você ainda pondera sobre as “perdas” que o cristianismo causará a você, talvez seja porque você ainda não aceitou Cristo em sua vida.

Oro para que Cristo seja o seu tesouro! Lembre que “onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” Mateus 6.21

Graça e Paz!

Michael Lima

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A confusão causada pela obediência – Ter. 25/10

É comum na bíblia vermos avisos vindos de Deus para algum povo que não está vivendo em conformidade com a Sua vontade. Estes “divinos puxões de orelha” são, na sua grande maioria, revelados a profetas ou apóstolos e estes por sua vez, assumem a responsabilidade de alertar a quem Deus indicou.

Ninivitas, sodomitas, egípcios e babilônicos são exemplos de povos que tiveram a intervenção de algum ser humano usado por Deus para, em tom de alerta, alcançar duros e afastados corações.

Com os Gálatas não foi diferente. Na lição de domingo vemos que eles deixaram de crer que pela fé seriam justificados e passaram a dar maior crédito nas obras da Lei, onde achavam que sua observância era o que realmente valia. Os Gálatas passaram a ter como foco a obediência pela obediência apenas. O aperfeiçoamento e justificação eram procurados através de leis que pertencem à carne: circuncisão, restrições sobre alimentos, etc.

Ao perceber isso, a lição de hoje nos mostra que Paulo os advertiu. Vemos em Gálatas 3:1-5 que a intenção de Paulo era mostrar qual o verdadeiro foco que deveriam ter para o aperfeiçoamento e justificação: A obediência mediante à Fé e o Amor de Cristo.

Paulo se sentiu no direito até de usar um exemplo existente nas Escrituras. O pai da fé, Abraão, foi exposto por Paulo como um crente em Deus. A sua crença (Fé) lhe foi atribuída para a Justificação. Com essa ilustração Paulo deixou claro que a única maneira de alcançar justificação é mediante à Fé.

Fé é ter afeição, amar aquilo que se acredita. E mantendo o foco nas leis os Gálatas estavam perdendo o real propósito das leis, que é ser um reflexo da Fé. Esta Fé produz primeiramente o arrependimento verdadeiro e consequentemente boas obras.

É natural que, ao sermos justificados pela Fé, se cumpra a obediência às obras da Lei e era essa a mensagem que Paulo queria passar aos Gálatas.

Essa mensagem também cabe aos nossos dias. Não somos justificados pelas coisas que fazemos, mas somente pela Fé do que Cristo fez por nós. Ao sermos justificados por essa fé, nos arrependemos dos nossos maus atos e fluem de nossa vida as boas obras.

Que Deus nos ajude a alimentarmos a nossa fé para sermos verdadeiramente justificados.

Uma boa semana!

Rafael Alves

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