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Fé e Lei – Seg. 31/10

Quando Paulo dizia repetidamente que nem a circuncisão nem quaisquer outras “obras da lei” são pré-requisitos para a salvação, “pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2:16), a marca que caracteriza o cristão não são as obras da lei, mas a fé (Gl 3:7). Essa negação repetida das obras da lei levanta a questão: “Será que a lei não tem absolutamente nenhum valor, então? Será que Deus anulou a lei?”

É curioso saber que antes de ser proclamada no Sinai, a lei de Deus existia de forma oral e assim era passada de geração a geração. Ellen G. White afirma: “O conhecimento da lei de Deus e do plano da salvação foi transmitido a Adão e Eva pelo próprio Cristo. Eles guardaram cuidadosamente o importante conteúdo, transmitindo-o verbalmente aos filhos e aos filhos dos filhos. Assim foi preservado o conhecimento da lei de Deus.” Portanto, somente no tempo de Moisés a lei passou a existir de forma escrita.

O raciocínio de Paulo em Romanos 3 se assemelha à sua argumentação sobre fé e lei em Gálatas. Sentindo que seus comentários poderiam levar alguns a concluir que ele estava exaltando a fé em detrimento da lei, Paulo faz a pergunta retórica: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rom. 3:31).

Ao exigir e prover o sacrifício expiatório, o plano da justificação pela fé revela o respeito de Deus por Sua lei. Se a justificação pela fé anulasse a lei, não teria havido necessidade da morte expiatória de Cristo para libertar o pecador de seus pecados e, assim, restaurá-lo à paz com Deus.

Além disso, em si mesma, a fé genuína envolve uma disposição sem reservas para cumprir a vontade de Deus em uma vida de obediência à Sua lei… A fé verdadeira, com base no pleno amor pelo Salvador, só pode conduzir à obediência” (SDA Bible Commentary, v. 6, p. 510).

A proclamação da lei no Sinai não anulou a promessa que Deus fez a Abraão. O objetivo da lei não era acrescentar condições para que a promessa fosse cumprida. A condição continuou a ser apenas a fé. A lei foi dada de forma escrita e em meio à terrível solenidade do Sinai por causa da apostasia dos israelitas no Egito. Os oponentes de Paulo acreditavam que o propósito da lei era justificar, ou seja, trazer o livramento da condenação pelo pecado. Paulo explicou que o propósito da lei era mostrar com suficiente clareza a gravidade do estado pecaminoso dos israelitas e fazê-los ansiar pela vinda do Salvador prometido.

Que implicações haveriam se Paulo, na verdade, quisesse dizer que a fé anula a necessidade de guardar a lei? Por exemplo, o adultério, o roubo, ou até mesmo o assassinato deixariam de ser pecado? Pense na tristeza, dor e sofrimento dos quais você poderia se preservar se simplesmente obedecesse à lei de Deus. Que sofrimentos você ou outras pessoas têm experimentado, inteiramente como resultado da desobediência à lei de Deus?

Feliz semana!

Renan F. de Almeida

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  1. Fé e Lei | Igreja Adventista do Sétimo Dia – Distrito de Andradina - 12 de novembro de 2011

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