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O Deserto – Dom. 22/06

Jesus-Loves-the-whole-world

“Não, nunca foi fácil…”
“Mas dificuldade por dificuldade…a vida toda é difícil…”
“Gabriel e seus amigos vivem me perguntando o tamanho da dor…o que doeu mais: as chicotadas, a lança rasgando meu tórax, ou os pregos…”
“Não penso tanto naquilo tudo…de verdade!”
“Eu sei da importância. Ali foi o clímax! Mas é que…as vezes acho que pra vocês…vocês…aqueles pelos quais morri, o símbolo se tornou mais importante. Parece que a cruz se tornou maior que eu e meu Pai…”

“E apesar de saber de como aquilo foi importante…de como era necessário…para que aqueles que eu e meu Pai amamos, pudessem viver pra sempre…mesmo que morressem…nunca considerei aquele momento o mais importante.”
“Por que?”
“Porque não foi difícil. Que foi? Tá me olhando assim porque? Ah…o sangue…eu suei sangue, né? Óbvio que eu tive medo. Você deve sempre lembrar, que eu era 100% Deus ali…mas também era 100% homem.”

“Se você tivesse ideia, de como era ter aqueles 12 me olhando o tempo todo, como se eu não suasse, não roncasse (não tanto como Tomé…ele ganhava de qualquer um), não tivesse dor de barriga, não sentisse cócegas (João vivia fazendo em mim)…”
“O tempo todo, eles me olhavam como se fossem saltar laser dos meus olhos…e é difícil, sabe? Ter sempre alguém esperando tanto de você. Tudo bem, eu tinha vindo para aquilo. Eu tinha uma missão, e iria cumpri–la e sei que o tamanho dela gerava uma expectativa monstruosa.”
“Mas, por favor, eu era um homem, um ser humano…aquele peso…o peso da responsabilidade, me sufocava as vezes…eu me senti inseguro várias vezes…achei que por ter me tornado homem, como vocês…eu não seria mais capaz de realizar a tarefa…mas meu Pai, sempre me socorria nessas horas…me encorajando…acreditando em mim…”

Jesús y sus discípulos

“Pai faz isso, né? Te socorre quando você não consegue mais…”
“Ah, você quer saber qual o momento que eu achei mais difícil, então…”
“Foi o deserto…ali, eu quase desisti…”
“Eu tinha fome, tinha sede…queria deitar numa cama e dormir…estava queimado do sol…minha pele ardia…”
“Você tem noção de como se sente sozinho numa situação assim?”
“Claro que tem…deve ter se sentido assim tantas vezes, não é?”
“E foi nessa hora, que meu irmão apareceu…”
“Eu o amava…sempre vou amar…mesmo agora que se foi…”
“Mas ali…ele quase destruiu tudo…”

“Ele me oferecendo todas aquelas coisas…eu assisti os seus pregadores ensinando dos púlpitos, que foi a última tentação a mais forte…poder!”
“Eles não sabiam era nada. Poder? Eu era o Filho do Homem e nem assim, aquilo me chamava a atenção. Eu não me regozijava por ser Filho do Homem…mas por ser filho…”
“Como ansiei por vocês terem esse mesmo entendimento…por vocês abraçarem isso como missão pessoal…”
“Quando ele me ofereceu comida, eu tremi…porque eu tinha MUITA fome…”
“E aí achei que não era mais digno…porque vacilei…mas mesmo ali…eu sentia meu Pai me amparando…eu pensava no rosto D’Ele…me olhando com ternura, mas com a firmeza de quem acreditava em mim…”
“Então resisti…mas quando ele me mostrou o poder…eu vi os filhos que viriam…vi você…e vi o que vocês passariam…como se entregariam a mais ínfima migalha…como venderiam seus princípios, dia após dia…como teriam seus espíritos esmagados todo santo dia, pelas decisões erradas que tomariam…como atenderiam a voz de Lúcifer…e pensei: “eu preciso estar em pé ao lado do meu Pai…para ajudá-los…se eu aceitar…eles nunca terão uma chance…”

“E ver que ele faria tudo aquilo com vocês…ver como ele faria seu pai trair sua mãe…como faria seu irmão aceitar aquele suborno…como faria sua irmã, entregar seu corpo a cada homem que aparecesse na vida dela, jurando amor eterno…como faria você se entregar as drogas…aquilo me encheu de fúria…não confunda com raiva…a raiva é uma coisa maligna…já a fúria, não…a fúria fortalece…a raiva consome…e a fúria que senti naquele momento, fez com que eu esbravejasse contra aquele menino inconsequente…aquele garoto que escolheu perder o rumo de casa…e o expulsei com a autoridade que meu Pai me deu…”

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“Eu caí, e achei que morreria ali…mas então os amigos de Gabriel apareceram e me alimentaram…e soube ali…que nunca mais eu sentiria aquela sensação de derrota…me sentiria inseguro as vezes…sentiria medo…até suaria sangue…mas nunca mais me sentiria indigno…porque ali, minha missão se desenhou por completo e preencheu meu coração…”
“E hoje, vocês estão aqui…comigo…e com nosso Pai…”
“Eu venci…e vocês também…”

“Queria muito que Lúcifer estivesse aqui conosco…mas essa dor será somente minha e de meu Pai…”
“Vocês…vocês agora serão apenas FELIZES…abundantemente FELIZES…plenamente FELIZES…e pra sempre! Foi pra isso que venci o deserto.”
“Amei vocês cada segundo…e os amo a cada momento indizível desse lugar onde o tempo não é…porque somos eternos…”
“Porque venci o meu deserto…foi que vocês venceram os seus…”

Davison Silveira

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Um comentário to “O Deserto – Dom. 22/06”

  1. Karen Ferreira
    23 de junho de 2014 at 16:51 #

    Que lindo! E que emoção imaginar Cristo olhando em meus olhos com todo esse amor enquanto me fala essas palavras!

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