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Sofrimento pequeno, bem maior – Dom. 12/05

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Até agora todas as lições desse trimestre abordavam profecias de advertências de Deus a Seu povo. Entretanto, hoje a coisa foi um pouco diferente. Ao invés de se focar na mensagem, a ênfase foi colocada nos sentimentos dos profetas em relação a essas mensagens. Meu pensamento sobre o que li pode ser resumido na expressão “coitados deles”, e confesso que pensei que não tenho quase nenhum direito de reclamar do meu trabalho.

Em todos os versos mostrados na lição vemos o quão desafiador era o chamado desses grandes líderes. O encargo sobre eles era tão grande que Moisés clamou assim para Deus: “mata-me, peço, se tenho achado graça aos teus olhos” (Nm 11:15). E isso ocorreu com vários dos profetas. Imagine só: as responsabilidades eram sobremaneira enormes que um dos maiores líderes da humanidade, logo ele, Moisés, afirmou que se Deus gostasse só um pouquinho dele que, por favor, tirasse sua vida.

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Muitas vezes, em meu trabalho, tenho decepções (e tenho certeza absoluta que você também!), é verdade que não chego a ter vontade de morrer (que bom, né?), mas já pensei em largar tudo, pedir demissão (ou, em linguagem popular: “chutar o pau da barraca”). Mas, lendo e refletindo sobre esta lição, percebi que o trabalho que exercemos em nosso cotidiano é também um ministério dado por Deus (não que isso nos impeça de mudar de profissão, afinal, não acredito que Ele tenha nos preparado apenas UM único chamado.

Porém, acredito que possamos fazer a diferença como profetas de Deus aonde quer que estejamos. Mas não se empolgue, porque de acordo com a lição, ser profeta significa que iremos sofrer muito. Nada importa, as lutas que enfrentamos ou os nossos sofrimentos diários, a mensagem que temos é maior do que qualquer pesar individual! “Nós esforçamo-nos em direção a um objetivo maior, nossas pequenas vidas não contam nada” (The abc café – Red and Black. Les Miserábles).

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Oro para que mesmo em nossos sofrimentos possamos nos servir de recordação de que existe algo a mais, um lugar no qual estaremos completamente realizados.

Carolina Corbacho

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Só você – Dom. 05/05

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“Onde você estiver, o que quer que faça, lembre-se: ‘Tu és Deus que me vê’. Nenhuma parte de sua conduta escapa à observação divina. Você não pode esconder do altíssimo seus caminhos. As leis humanas, embora algumas vezes sejam severas, frequentemente são transgredidas sem que sejam descobertas; consequentemente ficam impunes. Mas não é assim com a lei de Deus. A mais intensa meia-noite não pode ocultar o culpado. Ele pode pensar que está sozinho, mas os próprios motivos de seu coração estão abertos à inspeção divina. Toda ação, toda palavra e todo o pensamento estão distintamente marcados como se houvesse apenas UM INDIVIDUO EM TODO O UNIVERSO e a atenção do céu estivesse centralizada em seu comportamento”. (Ellen G. White, Signs of the Times, 11 de setembro de 1884).

A história de Jonas é muito conhecida, é uma daquelas que a gente ouve quando é pequeno, assiste desenhos e canta musiquinhas (os meus alunos de 5 anos adoram a música “Na Barriga da Baleia”), mas quero convidar vocês a analisa-la de um jeito diferente. Muitas vezes criamos uma representação infantil para as histórias bíblicas conhecidas, e não há nada de errado nisso, pois as ouvimos desde crianças, mas que isso não nos impeça de olha-las de um jeito diferente, e criar outras representações para as mesmas histórias.

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A cidade de Nínive era uma das grandes potencias da Assíria, cidade importante, grande e bem sucedida, mas também conhecida como uma cidade “sangrenta, toda cheia de mentiras e roubo” (Na 3:1). Creio de nenhum de nós acharia alguma bondade nessa cidade, mas sabemos que Deus tem esse dom de encontrar bondade e perdão até nos mais impiedosos lugares, e Ele encontrou em Nínive também, por isso achou que a cidade merecia ser salva. Ele portanto elaborou um plano, chamou um de seus profetas chamado Jonas e disse a ele que pregasse para a cidade, simples assim! Apenas um detalhe, para Jonas não era tão simples. Aquela era uma cidade cruel e ele estava com medo (e com razão, diga-se de passagem). O problema não foi o medo em si, mas a falta de confiança no Deus que o tinha chamado, foi a falta de confiança que o fez entrar em um navio e fugir.

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Mais tarde na história, Deus mostrou a Jonas de uma maneira pouco convencional e que me lembra “Procurando Nemo”, que ninguém pode fugir de sua presença (lembre-se, a história original é a de Jonas, não a do Nemo). E será que hoje a gente sabe disso? Quantas vezes eu me esqueci de orar, ou mesmo estudar a bíblia e a lição e quando eu me lembrei simplesmente deixei pra mais tarde, como se Ele não estivesse consciente da minha decisão. Quantas vezes eu deliberadamente machuquei o meu Melhor Amigo por esquecer que ele sempre está olhando. Quantas vezes eu fugi dele, como se isso fosse possível. O trecho de Ellen G. White que eu coloquei no começo é pra nos lembrar que Ele está sempre olhando, não com olhos acusadores, mas de genuína preocupação com a sua salvação, afinal, pra Ele é como se existisse só você em todo o universo.

Carolina Corbacho

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Amar: verbo transitivo direto – Dom. 28/04

“Amar o bem e odiar o mal”. Essa é a principal mensagem de Amós para nós hoje, devemos fazer isso a cada dia. Acho que ninguém duvidaria disso, não é verdade? Afinal de contas, quem iria contra algo tão lógico e politicamente correto? Mas é aí que a coisa fica estranha e começa a ficar cada vez mais confusa. É preciso responder a uma grande pergunta quando pensamos no amor relatado pelo profeta Amós: o que seria “amar o bem e odiar o mal”? Essa frase, por mais bonita que possa ser, não acaba se mostrando bem relativa? Pense comigo, a resposta não pode ser diferente para cada pessoa do mundo?

Acho que para começar a responder (e talvez nunca acabar de o fazer), vale a pena pensar que em nenhum momento da crítica de Amós vemos uma postura unicamente teórica por parte do profeta. O que isso quer dizer? Simples, Amós tinha em mente muito mais do que uma mera teologia vazia e sem significados práticos. Ele não estava pregando de uma forma meramente teórica (nada contra teorias, eu até gosto delas, o problema é ficar apenas nelas). Esse importante profeta menor estava conclamando Israel à uma religião prática e que produzisse fortes e evidentes mudanças sociais. Amar o bem é ir em busca de libertação para todos aqueles que antes eram excluídos. Em resumo, amar não é um sentimento, mas um verbo, e ele é transitivo direto (ou seja, é uma ação que sempre precisará de um objeto complementar, um algo ou alguém à ser amado).

Veja só um exemplo desse tipo de amor exigido por Amós. Temos a seguinte sentença em Amós 5:11: “vocês oprimem o pobre e o forçam a dar-lhe o trigo. Por isso, embora vocês tenham construído mansões de pedra, nelas não morarão”. Uau, veja só o que o profeta está falando aqui: vocês são ricos, mas essa riqueza só foi possível existir porque houve a exploração dos pobres! E o como o Senhor pede para isso ser corrigido? “Odeiem o mal e amem o bem; estabeleçam justiça nos tribunais” (Am 5:15). Não tem como negar, a benção de Deus é dada apenas àqueles que agem de forma prática em prol da justiça. Fazer o bem não é ter uma vida contemplativa de purezas e bons pensamentos (isso é importante, é claro, mas não é o ponto debatido em Amós). Odiar o mal não se refere à não falar palavrões, é algo muito mais relacionado com odiar o fato de que um filho de Deus, criado a sua imagem e semelhança, continue a sofrer injustiças, ou que ele sofra com a pobreza e tudo que isso pode trazer. Bem mais amplo, né? Relativo? Eu acredito que não!

Percebo uma coisa bem firme na mensagem de Amós. Até mesmo uma benção recebida por Israel (a possibilidade de paz) pode se transformar em uma maldição. Foi essa benção que possibilitou alguns em Israel amarem mais sua posição ou suas riquezas do que amar o Senhor. Com isso, eles acabaram excluindo muitas das bênçãos que se destinavam à todos. Assim, minha oração hoje é para que eu não possa me achar rica o suficiente para me esquecer de Deus (e essa riqueza pode ser de dinheiro ou mesmo de outras coisas não materiais, tais como a minha própria religiosidade!). Oro também para que eu entenda que, por mais problemas que encontrar em minha vida, isso nunca deverá ser justificativa para fugir de minha responsabilidade de ajudar todos aqueles que precisarem de mim. Principalmente os pobres e demais excluídos do sistema, ou seja, devo ajudar aqueles por quem Amós já lutava. Por último, te convido a orar comigo para que essa também seja a sua decisão.

Ps: não posso deixar de citar a fonte de boa parte da argumentação que utilizei aqui, meu namorado fez um vídeo que me ajudou bastante a pensar em tudo isso. Como ele me ajudou, irei fazer propaganda dele. Veja o vídeo e, se você gostar, ajude a divulgar, ok?

Carolina Corbacho

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Acendendo a luz – Dom. 21/04

“A sociedade é culpada de não instruir gratuitamente e responderá pela escuridão que provoca. Uma alma na sombra da ignorância comete um pecado? A culpa não é de quem o faz, mas de quem provocou a sombra.” (Victor Hugo em Os Miseráveis).

O título dessa lição de domingo já é chocante “Crimes contra a humanidade” e, devo confessar que seu conteúdo não foi nada leve pra mim. Eu, pessoalmente sempre me orgulhei de ser “boazinha”, de querer ajudar as pessoas menos afortunadas. Teve um dia que eu dei todo o meu dinheiro para uma mendiga e tive que pedir emprestado para pegar o metrô. Mas descobri hoje que sensibilidade não é o suficiente. Não adianta nada ficar comovido com meninos de rua pedindo dinheiro no semáfaro, ou “compartilhar” fotos no Facebook que supostamente vão ajudar alguém. NÓS, como igreja e principalmente como indivíduos e cidadãos precisamos fazer MAIS! Precisamos afastar a mão que provoca a sombra (da citação acima), precisamos encontrar o interruptor e ligar a luz. E sabe por que eu digo que “precisamos”? Porque é o mínimo que Deus quer de nós.

Em todos os evangelhos e em toda a bíblia vemos uma fundação básica, o amor. Foi o amor que motivou Deus a nos criar, foi por amor que Jesus veio pra Terra, é por amor que Ele vai voltar, e foi por amor que Ele mandou as oito advertências, através de Amós, às nações vizinhas e à própria Israel. Amor aos oprimidos que estavam sendo vítimas da “ausência de compaixão” desses povos.

Na lição, fala que o povo de Tiro não praticou nenhum ato cruel com os prisioneiros, mas os entregaram aos inimigos, e por isso foram tão responsáveis pelos atos cruéis quanto a própria mão que os praticou. Hoje em dia vemos muitos atos de crueldade também. Parece até moda, crueldade com crianças, com idosos, com animais, com moradores de rua, atos assim estão se tornando cada vez mais banais, e a culpa não é nossa, é?

Será que não? A bíblia e o espírito de profecia (comentário de Ellen White da lição) me mostrou hoje que cada vez que eu desvio o olhar, que eu deixo de fazer algo que estava ao meu alcance, que eu tranco a porta do carro em um semáforo, que eu minto falando “não tenho nada hoje”, faz com que eu me torne a opressora, a mão que bate! Deus nos colocou nessa terra para fazermos algo, não para o “ativismo de sofá”, sentar e falar mal do governo que não faz nada. “Os cuidados de Deus estão sobre os mais fracos de Seus filhos.” (Patriarcas e Profetas, p. 300) E os nossos devem estar também. Deixar de fazer algo bom ao próximo é o mesmo que fazer algo ruim.

Quero que hoje minha oração seja como a de São Francisco de Assis:

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive para a vida eterna.”

Vamos acender a luz?

Carolina Corbacho

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Nada nessa vida é meu! – Dom. 14/04

É muito comum ouvirmos, e até mesmo falar, frases como: “preciso de dinheiro”, ou “parece que mal começou o mês e meu dinheiro acabou”! Eu mesma repito frases desse tipo com mais frequência do que gostaria (meu namorado, então, nem se fala). Ao ler a lição de hoje percebi o quanto que Israel se encontrava em uma situação bem pior do que eu já estive em qualquer uma de minhas crises. Não que eles não merecessem, afinal, aquele era um castigo vindo do próprio Deus (e se Ele achou que foi preciso, não serei eu quem irá discordar).

Entretanto, se pararmos para pensar, o que deve ter sido para uma sociedade antiga perder absolutamente toda sua plantação, a coisa fica ainda mais dramática. Veja só, tal devastação foi completa, levando ao profeta aludir à quatro levas de gafanhotos, afirmando que aquilo que a primeira leva não havia destruído, a segunda veio para completar e, assim por diante, até não sobrar mais nada (nadinha mesmo!). É um pouco difícil pra nós, pessoas do século 21, entendermos esse conceito de uma colheita ruim estragar o sustento de uma nação inteira, mas isso acontecia facilmente no passado. Assim, toda uma nação estaria condenada, todos passariam fome. A comida seria um bem cada vez mais escasso, até se esgotar por completo. Seria pior do que o preço do tomate de hoje em dia, pois não haveria mais o que comprar.

Na revista Aventuras na História, na edição de março deste ano, li uma reportagem falando que antes da agricultura industrial, “durante o inverno sobrevivia-se com o que era colhido no verão. Se algo atrapalhasse o ciclo, seguia-se uma fome catastrófica.” No caso de Israel, a Bíblia afirma que o que atrapalhou o ciclo foi um juízo divino! É como se do dia para noite ficássemos sem dinheiro e sem comida nenhuma e, pior, sem perspectiva de arranjar qualquer um dos dois tão cedo.

Mas o que o povo de Israel fez de tão grave? Temos chance de estar repetindo os mesmos erros deles? Analisando os comentários de Ellen G. White sobre esse acontecimento percebi que o erro de Israel é algo que eu cometo quase todos os meses depois de receber meu salário. Israel tinha esquecido que apesar de eles estarem plantando, a terra era propriedade exclusiva de Deus. E veja bem, estamos falando de algo que vai bem além de meramente devolver o dízimo ou entregar uma oferta à “causa de Deus”.

O que Israel se esqueceu é que devemos empregar tudo (isso mesmo, eu disse tudo) o que Deus nos dá visando à construção do Reino de Deus na Terra. “Devemos entender que há provisão feita para a causa de Deus e para o alívio do pobre, para que essas reivindicações não sejam negligenciadas” (Sing of Times, 13 de janeiro de 1890). Assim, a única esperança para Israel é também a minha, abandonar a indiferença e a crença de que algo em nossas vidas pertença a nós mesmos, e com isso voltarmos “para o Senhor de todo o nosso coração” (Review and Herald, 21 de agosto de 1913).

Vamos orar? Junte-se a mim: “Senhor, ajude-me a entender que nem sempre podemos controlar o local e as circunstâncias em que vivemos. Ajuda-me a resistir às coisas à minha volta que me distraem de viver o Teu propósito para minha vida” (essa oração, igual a da semana passada, foi meu namorado que leu na meditação do Pr. Jon Paulien).

Carolina Corbacho

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