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Sucesso e renuncia – Ter.22/12

Você já conheceu alguém com uma vida bem sucedida, futuro promissor, abandonar tudo o que conquistara até então em nome de ideais mais elevados? Alguém que deixou o conforto e a estabilidade para se arriscar no terreno incerto do voluntariado à obra de Deus? Baruque, secretário do profeta Jeremias, foi um.

Em meados de 500 a.C. ler e escrever não era um privilégio partilhado por muitos, pelo contrário, era muito raro. Aqueles que possuíam esse tipo de conhecimento eram bonificados com postos almejadíssimos na corte real, servindo como escribas dos reis. Baruque era um desses eruditos, portanto ele tinhas as portas abertas para ocupar um alto cargo no palácio, mas escolheu para si o ofício simples de copista do profeta.

Ser auxiliar do profeta exigia mais abnegação do que simplesmente rejeitar uma possível carreira promissora, envolvia desconforto, perseguição, ridicularização e risco de morte. Mesmo assim, Baruque perseverou ao lado de Deus e de seu senhor, abrindo mão de todo e qualquer sonho terreno. Contrariando todo o senso de autoproteção, aceitou ‘esperar pacientemente e confiar quando tudo parece escuro’ (Ellen G. White, ‘Profetas e Reis’, p.174)

Assim como foi com Baruque (Jer. 45:4 e 5), todo ato de renúncia de si mesmo em favor do serviço cristão é registrado nos livros do céu e será recompensado quando Cristo voltar a esse mundo para nos buscar.

A mola propulsora de nossa salvação foi o amor de Deus manifestado em renúncia. Jesus abdicou de toda a glória e esplendor de Rei do Universo, para se fazer homem, humilhado, rejeitado, perseguido, nascido num berço de palha improvisado numa estrebaria e morto da mais cruel forma conhecida pelo mundo de então: a morte de cruz.

‘Baixando a tomar sobre Si a humanidade, Cristo revelou um caráter exatamente oposto ao de Satanás. Desceu, porém, ainda mais baixo na escala da humilhação. “Achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” Filip. 2:8. Como o sumo sacerdote punha de parte suas suntuosas vestes pontificais, e oficiava no vestuário de linho branco, do sacerdote comum, assim Cristo tomou a forma de servo, e ofereceu sacrifício, sendo Ele mesmo o sacerdote e a vítima. “Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e Pelas Suas pisaduras fomos sarados” Isa. 53:5.’ (Ellen G. White, ‘O Desejado de Todas as Nações’, p.25)

O maior ato de amor já presenciado pelo universo comemora nesta semana mais um aniversário. Estamos às vésperas do Natal, mas, mais uma vez, o mundo tem preferido ignorar o real protagonista da festa para atentar aos seus próprios desejos e vontades.

Convido você, então, para que nos voltemos para Cristo, para a Sua encarnação, vida e morte. Que neste Natal e no Novo Ano que se iniciará, reflitamos no que Jesus fez por nós e naquilo que Ele espera de nós. Que os nossos desejos extrapolem a obviedade da prosperidade esperada pelo mundo, mas sejam de servir a Cristo, a despeito das circunstâncias. Que não tracemos planos para nós mesmos, mas depositemos nossas vontades sob a direção de Deus. Que tenhamos como maior sonho o de ver Cristo retornar nas nuvens de glória o mais breve possível e que, para tanto, Ele nos use como instrumentos Seus.

A exemplo de Baruque e, principalmente, de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, estejamos dispostos a viver uma vida de renúncia em favor da Sua causa.

‘Devemos procurar cumprir fielmente todo dever conhecido, e então repousar calmamente nas promessas divinas.’ (Ellen G. White, ‘Mensagens aos Jovens’, p.111)

Um Feliz Natal a todos e um Novo Ano deposto nas mãos do Salvador!

Grace Ferrari

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A Grandeza da Servidão – 14/12

Temos visto proliferar-se o número de igrejas e religiões que têm como seu ‘carro-chefe’ a propagação de milagres. Essa realidade é reflexo da imensa quantidade de pessoas que buscam evidências físicas para fundamentar suas crenças. Fato é, contudo, que milagres por si só jamais foram capazes de converter corações endurecidos. Jesus bem sabia disso e por muitas vezes recusou-Se a fazer uso de Seus poderes a fim de impressionar Seus opositores. Contrariando Seus expectantes, e o que prega a atual teologia da prosperidade, ensionou Cristo o caminho da humilhação e do serviço (Mat. 23:12).

Geazi foi alguém que pôde testemunhar de perto a realização de inúmeros milagres. Como servo do profeta Eliseu, presenciou o dia-a-dia de consagração do homem de Deus e os feitos extraordinários que o Senhor operara por intermédio dele. Numa ocasião de privilégio sem igual no relato bíblico, pôde ver a multidão do exército de anjos a lhes proteger contra as forças do rei da Síria (II Reis 6:17). Poucos outros tiveram uma experiência sensorial com o poder do Alto tão evidente tal qual Geazi, no entanto, a exemplo de Judas, nem o mais íntimo contato com a manisfestação divina foi suficiente para sua conversão.

Pessoas assim padecem de uma espécie de cegueira voluntária, como disse Jesus: ‘O coração deste povo está endurecido, e ouviram de malgrado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e Eu os cure.” Mat. 13:15

Contemporâneo a Geazi e Eliseu, vivia Naamã, chefe do exército sírio, homem acometido por lepra. Na casa de Naamã havia uma pequena serva judia, que não pudera testemunhar com seus próprios olhos milagres ou maravilhas, fôra feita escrava e levada cativa, mas aprendera em seu lar da fidelidade e amor do Deus de Israel. Sua fé estava deposta nas mãos desse Deus e, por isso, mesmo em servidão, ela experimentava paz e refrigério que só têm os que descansam nEle. Sua confiança era tal que não hesitou em sugerir ao seu amo que procurasse o profeta Eliseu para que fosse curado.

Naamã encontrou a cura que buscava (II Reis 5:14). Sua alegria foi imensa, reconheceu a soberania do Deus vivo, rendeu-Lhe louvores e desejou presentear o profeta, num gesto de agradecimento. Eliseu recusou as honras de Naamã, mas Geazi viu ali uma oportunidade de exteriorizar o desejos ambiciosos e gananciosos que haviam em seu coração. Ele correu atrás de Naamã e, com mentiras, pediu parte das ofertas para si (II Reis 5:20-24).

Geazi aprendera, mas não aceitara a lição: ‘ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.’ (Mat. 6:20). Em contraste à pequena serva, diante de todas as oportunidades que lhe foram oferecidas, sua resposta foi um coração orgulhoso, que certamente não enxergava nobreza na servidão, antes desejava esquivar-se dela.

Diz Ellen G. White ‘Entre os seguidores de nosso Senhor em nossos dias, como outrora, quão disseminado se acha esse pecado sutil e enganador! Quantas vezes nosso serviço a Cristo, nossa comunhão uns com os outros, não são manchados pelo oculto desejo de exaltar o próprio eu!’ (‘O Desejado de Todas as Nações’, p.409)

Orgulho e cristianismo não podem harmonizar-se. Jamais haverá espaço para ganância ou ambição entre os santos de Deus. O pecado nasceu de uma coração egoísta e todo o mal que vemos hoje é consequência dele. Por isso, não permitirá o Senhor que haja egoísmo e envaidecimento pessoal na Nova Terra. Geazi, Acã, Judas, Ananias, Safira e tantos outros encontraram nesses vis desejos sua perdição eterna.

Conhecer a Deus e presenciar-Lhe sinais não é, nem nunca, foi suficiente, para trazer salvação a alguém pois ‘até mesmo os demônios crêem — e tremem!’ (Tiago 2:19- NVI), é preciso humilhação, confissão e conversão: ‘se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.’ (II Crôn. 7:14). A maior de todos os milagres é um coração transformado.

Aprendamos com Geazi e a pequena serva que ‘precisamos chegar-nos bem ao pé da cruz. Quanto mais ali nos humilharmos, tanto mais exaltado nos parecerá o amor de Deus.’ (Ellen G. White, ‘Mensagens Escolhidas’, vol1, p.328).

Que Deus nos abençoe e nos faça cada dia mais humildes e dependentes dEle!

Grace Ferrari

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Pobres Ricos e Ricos Pobres – 07/12

Somos uma igreja próspera e em galopante e perceptível ascensão em todos os aspectos. Crescemos em membros, crescemos como instituição, crescemos em nossas publicações, crescemos na acessibilidade às informações. Nunca tivemos tanto, é fato. Nesse cenário, nós, membros, convictos de nossa prosperidade, revestimo-nos de toda pompa e circunstância do status de adventistas do sétimo dia e sentimo-nos num patamar de suposta inatingível santidade.

É bem sabido que vivemos o período laodiceiano da igreja, aquele da mornidão e, paradoxal, arrogância espiritual ‘somos ricos, estamos bem de vida e temos tudo o que precisamos’ (Apoc. 3:17 NTLH). Essa é a nossa igreja hoje, aquela que Cristo disse querer vomitar de Sua boca (Apoc. 3:16). Pregamos a urgência da volta de Jesus, mas empregamos a maior parte de nossos recursos para adquirir eletrônicos de última geração, ter o carro do ano, frequentar os restaurantes da moda ou usar o que ditam os fashionistas. Levamos o nome de conclamadores da vinda de Cristo, mas ignoramos as necessidades daqueles por quem passamos na rua, dos nossos vizinhos e até mesmo dos nossos familiares.

Diferentemente de nós, havia uma mulher na Fenícia que nada tinha. Viúva, miserável, jamais tivera tido os privilégios que o povo de Deus desfrutava. Certo dia, ela foi recolher alguns gravetos para preparar o que seria a sua última fornada de pão. Sua terra vinha passando por seca e fome terríveis, mas, até ali, ela e seu filho haviam resistido com vida, poupando ao máximo o seus recursos. Aquele era o fim da linha. Qual não foi sua surpresa, então, quando foi abordada por um homem que lhe pediu que, antes de tudo, desse-lhe de comer.

O homem era o profeta Elias e a pobre mulher, a viúva de Sarepta. Não sabemos como, mas ela reconheceu que ele era uma homem de Deus (I Reis 17:12) e num ato de extrema fé, deu-lhe tudo o que tinha (verso 15). ‘Nenhuma prova de fé maior que essa poderia ter sido requerida…Maravilhosa foi a hospitalidade mostrada ao profeta de Deus por esta mulher fenícia, e maravilhosamente foram sua fé e generosidade recompensadas.’ (Ellen G. White, ‘Profetas e Reis’, p.130 e 131)

A atitude daquela viúva deveu-se a uma combinação de fatores: a insatisfação com sua situação presente e a certeza de que as promessas de Deus são sempre confiáveis e infinitamente superiores a tudo quanto possamos possuir. ‘Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os Meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os Meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.’ (Isa. 55:9)

A síntese da lei de Deus é ‘amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento’ e ‘amarás o teu próximo como a ti mesmo’ (Mat. 22:37 e 39). Parece pouco? É tudo. Não é o que sobra que devemos dar, não é o resto, o que não serve, o que não queremos mais. O Senhor não requer apenas uma parte de nós, Ele nos quer por inteiro.

O que temos oferecido a Ele? O que temos oferecido ao nosso próximo? Ou a soberba da nossa autosuficiência tem sufocado qualquer manifestação genuína de doação? Se temos tanto, precisamos mesmo de mais? Se estamos tão ocupados, como parar para atender os outros?

‘Nossa posição diante de Deus depende, não da quantidade de luz que temos recebido, mas do uso que fazemos da que possuímos’ (Ellen G. White, ‘O Desejado de Todas as Nações’, p.239). A víúva de Sarepta nos ensina hoje que o verdadeiro cristianismo não está em ostentar uma crença ou professar uma religião, mas em atitudes que exteriorizam aquilo que vai dentro de um coração genuinamente convertido e esperançoso.

Que sejamos gratos a Deus pelas tantas bênçãos recebidas, que reconheçamos quão favorecidos somos, mas que nossa gratidão redunde em espírito humilde e generoso diante de nossa pequinez perante a grandiosidade divina. Porque ‘Deus ama a quem dá com alegria.’ (II Cor. 9:7)

Grace Ferrari

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Obediência Integral – Ter. 30/10

Há um ditado popular bastante conhecido que diz que ‘de boa intenção, o inferno está cheio’. Existe uma importante verdade teológica por detrás dessa afirmação: se escolhemos fazer a vontade de Deus, não podemos escolher como fazê-la. Ou seja, não basta que façamos algo cercado de boas intenções se aquilo não é exatamente o que Deus requereu de nós.

Desde o Gênesis, a Bíblia contém relatos de pessoas que quiseram seguir os propósitos divinos à sua maneira, como Caim e sua oferta de frutos da terra (Gên. 4:3-5) ou Saul poupando a vida de Agague (I Sam. 15:8 e 9). Assim foi também com Jeroboão ao mandar construir dois bezerros de ouro a fim de proporcionar ao povo uma representação visível de Deus (I Reis 12:28), instituir sacerdotes não levitas (verso 31) e oferecer sacrifícios às imagens (versos 32 e 33).

Professar ser seguidor de Cristo não é suficiente, se não é feita a Sua vontade. Agir dizendo-se estar sob o Seu conselho, porém contrariando Sua Palavra é uma ofensa ao Céus. ‘Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus.’ (Mat. 7:21)

A reprovação e as consequências de seus atos vieram a Caim, Saul, Jeroboão. No último caso, Deus enviou-lhe um servo Seu que, no momento em que o sacrifício era feito, profetizou a maldição que sobreviria a todos os envolvidos naquele culto espúrio. Jeroboão recusou-se a aceitar a advertência do homem de Deus e ordenou sua prisão. Porém Deus, mais uma vez, manifestou-Se e secou-lhe a mão. O incrédulo rei apelou para aquele que até então desacreditara e, mediante uma oração ao Senhor, sua mão foi restaurada.

Jeroboão quis agradar o profeta de Deus, oferecendo-lhe estadia e banquete, mas ele, cumprindo as ordens que recebera, recusou as ofertas do rei (I Reis 13:8 e 9). A motivação de Jeroboão, novamente, não era gratidão a Deus, externada sob a forma de agrados ao Seu servo, mas seus objetivos eram interesseiros e politiqueiros, contrariando o que diz a Palavra: ‘tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo coração, como para o Senhor e não para homens.’ (Col. 3:23)

Uma das grandes surpresas ao se analisar a vida dos personagens bíblicos está em saber que até mesmo aqueles aparentemente mais inabaláveis, ao desviarem seus olhos de Cristo, acabam caindo em falta. Como dizem as Escrituras ao dizer que ‘aquele que pensa estar em pé, cuide para não cair’ (I Cor 10:12). Ellen G. White diz também, em ‘Testemunhos Para a Igreja’, v.7, p.151, que ‘ao nos colocarmos onde Deus não pode cooperar conosco, nossa força será transformada em fraqueza.’ Foi o que aconteceu àquele homem de Deus que advertira Jeroboão. Mesmo ciente da palavra de Deus para que não comesse, nem bebesse ali, mas antes voltasse logo à sua terra, acabou deixando-se levar pela palavra de outro profeta que dizia ter recebido uma mensagem contrária de um anjo. A desobediência custou-lhe a vida.

‘O homem tem posto sua vontade contra a vontade de Deus, mas não pode silenciar a palavra de ordem. A mente humana não pode fugir a suas obrigações para com um poder mais alto.’(Ellen G. White, ‘Profetas e Reis’, p.624). Deus jamais se contradiz, Sua vontade não muda. A mensagem de um profeta Seu não pode jamais contrariar a que foi dada a outro profeta anteriormente.

Satanás está a todo instante procurando desviar-nos de cumprir a vontade do Pai e quando não consegue que o façamos conscientemente, procura iludir-nos com todo tipo de embuste. Para que não caíamos em suas ciladas, precisamos procurar obedecer a Deus em tudo que Ele requer de nós e, para isso, precisamos também conhecer profundamente os Seus ensinamentos, para não nos deixarmos levar por nenhuma falsa doutrina ou falso ensinamento.

‘A Lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma’ (Sal. 19:7). Tão fatal quanto querer servir a Deus de maneira diferente daquela que Ele propôs é desconhecer-Lhe a vontade. ‘A felicidade do homem é encontrada na obediência à Lei de Deus. Ao obedecer à Lei de Deus, o ser humano é circundado como por uma cerca e guardado do mal.’ (Ellen G. White, ‘Signs of the Times’, 10 de abril de 1893)

Aprendamos com os erros de Jeroboão e do ‘homem de Deus’ a nos firmar cada dia mais em Seus ensinos, através de uma comunhão íntima e estudo diligente de Sua palavra, reconhecendo que o Senhor espera de nós nada menos do que obediência integral.

Grace Ferrari

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Fiel à Toda Prova – Ter. 23/11

Na lógica humana é comum associar-se o cumprimento de um dever a algum tipo de recompensa: trabalha-se pelo salário, semeia-se para colher. Esta não é, contudo, a lógica divina. Os dons divinos são gratuitos (Rom. 6:23), ‘somos salvos pela graça, mediante a fé’ (Efés. 2:8).

Nossas boas ações não garantem nossa aceitação por Cristo (Fil. 3:4-8), não podemos obedecer-Lhe PARA que sejamos salvos, mas Lhe obedecemos PORQUE fomos salvos. A fidelidade a Deus não tem por fim merecer-Lhe o favor, mas reconhecer-Lhe o favor.

O Dicionário Aurélio define fidelidade como ‘afeição e lealdade constante; exatidão em cumprir suas obrigações, em executar suas promessas.’ Dessa forma, podemos dizer que é verdadeiramente fiel a Deus aquele que realiza Sua vontade e bendize-Lhe o nome a despeito das circunstâncias, na prosperidade e na adversidade.

Demonstrar lealdade a Deus enquanto tudo vai bem em nossa vida talvez não exija muito de nós; oferecer uma oferta de gratidão por uma bênção alcançada, louvar-Lhe pela perfeição de um filho que acabou de nascer, adorar-Lhe por uma cura muito aguardada… Mas como reagimos quando nos vêm a aflição, quando nossos planos se frustram? Permanecemos fiéis? Damos-Lhe graças?

Rispa foi um exemplo de fidelidade à toda prova. Concubina de Saul, já viúva, teve toda a sua descendência entregue aos gibeonitas (II Sam 21:6-9). Eles foram mortos e seus corpos deixados expostos sobre o monte perante o campo de cevada em Gibeá. ‘Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-lho sobre uma penha, desde o princípio da sega até que a água do céu caiu sobre eles; e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais do campo de noite’ (II Sam 21:10). Meses se passaram até que Davi tomou conhecimento de seu silencioso protesto e ordenou que fosse dado um sepultamento digno àqueles corpos. Provavelmente Rispa teria permanecido ali até que ela mesmo morresse, assim como o cão escocês Greyfriars Bobby, que, no século XIX, guardou a sepultura de seu dono por quatorze anos, até também morrer em 14 de janeiro de 1872.

A história de Rispa nos desafia a fortalecermos nossa fé, desenvolvendo uma confiança inabalável, que passa pelo caminho das resistência e da perseverança, a despeito das circunstâncias.

A lógica humana não é a lógica divina, por isso ser fiel a Deus não está diretamente associado à uma vida isenta de dificuldades. Contudo Cristo nos disse: ‘no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo’ (João 16:33). Temos promessas eternas que devem nos motivar a não esmorecer ainda que nos sobrevenham dificuldades. Como disse o apóstolo Paulo: ‘Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.’ (Rom 8:18)

‘Quando somos apertados de todos os lados, é sobretudo tempo de confiarmos em Deus e no poder do Seu Espírito.’ (Ellen G. White, ‘Profetas e Reis’, p.595). Resistir, mantendo-se firme ao lado de Deus, reconhecendo que Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza (II Cor. 12:9) é o que Cristo espera de nós. Receberemos a recompensa afinal e Lhe ouviremos a voz: ‘ ‘Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei, entra no gozo do teu Senhor.’ (Mat. 25:23)

Grace Ferrari

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