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A volta de Jesus é música aos ouvidos de quem espera – Sex. 28/12

Como está gravado em seu próprio nome, a Igreja Adventista interpreta e confia na realidade futura do advento de Cristo. Em pouco mais de um século e meio de existência, ela tem enfatizado o anúncio do tempo do fim. Nas próximas décadas, o adventismo não desistirá de proclamar o tempo do fim, ainda que esse tempo do fim demore a chegar.

Assim, não tem sido suficiente ler e falar a respeito dos temas do advento. A esperança e a fé têm levado o povo a cantar sobre o retorno de Jesus e a nova terra.

O músico Jader Santos é autor de inesquecíveis canções sobre a volta de Jesus (“Eu não me esqueci de ti”, “Chegou a hora”). Sua canção “Eu quero olhar” é um relato didático confiante das últimas coisas e das novas primeiras coisas que acontecerão:

Eu quero olhar pra cima e ver aquela nuvem aparecer um pouco escura, mas não de chuva, só uma mancha a mais no céu

E se eu olhar com atenção verei ainda que há uma luz assim brilhante que num instante vai se tornar bem maior

O desejo de quem espera a volta de Jesus pode ser nublado por sinais que são a contrafação do advento real de Cristo: uma nuvem parecida, prodígios “em nome de Deus”, falsos cristos. A atenção ao que diz a Bíblia é o melhor preparo para não ser confundido.

Em seguida, cada verso descreve características do Esperado:

Sim, é Jesus que triunfante e exultante vem como Rei / Sim, é Jesus, o Pai amante que os seus filhos vem receber / Sim, é Jesus, o humilhado, o que foi morto e reviveu / O que foi homem e que foi Deus, e que voltar nos prometeu

Os dois primeiros versos contrastam com os dois últimos – o Rei triunfante é mencionado também como Deus humilhado. Jesus é o líder-servo e homem-Deus. O mesmo “que foi morto” é o mesmo que “reviveu”, Aquele “que foi homem” também é Deus. A letra faz o contraste entre a morte, própria do estado atual do homem, e a ressurreição, própria da divindade, e ainda completa afirmando a capacidade de Jesus de transcendê-las. Ele não apenas vive, mas é A Vida.

O povo que aguarda a volta de Jesus acredita que a bendita esperança se realizará e que a esperada volta de Cristo será de forma visível e audível:

Enfim chegou Quem nós aguardávamos, Quem nossa alma almejou / Quem nossos olhos sonharam ver, Quem os nossos ouvidos sonharam ouvir

Quando os anjos vieram confortar os atônitos discípulos que viam Cristo ascender ao céu, disseram: “Esse mesmo Jesus que vistes subir, voltará outra vez”. Os discípulos o reconhecerão, assim como nós, porque Ele será o mesmo, dessa vez com grande glória e majestade:

Filho de Maria, Leão de Judá, Estrela da Manhã, vem enfim brilhar

O povo não espera somente o retorno de Cristo, mas também a vida eterna prometida aos que creram, uma vida sem os males terrenos, uma vida de alegria, paz e adoração:

Quero pra sempre contigo morar, Não mais viver a tragédia do mal / Quero em Teus braços me aconchegar / Quero Teu nome pra sempre louvar.

Von Hügel dizia que “grandes realidades, ainda invisíveis, requerem para sua apreensão uma incorporação figurativa na imaginação”. Cantar a esperança do retorno de Jesus é meditar e incorporar em nossa mente a grande realidade divina que em breve se verá face a face.

Joêzer Mendonça

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Para viver com esperança – Sex. 21/12

A PARÁBOLA DOS CONVIDADOS COM GARFOS NAS MÃOS

Um grupo de professores discutia na hora do intervalo entre as aulas sobre qual seria a melhor maneira de esperar a volta de Jesus. Nisso, vendo passar a professora de português das séries infantis, resolveram lhe perguntar qual sua opinião a respeito do assunto. Ela, então, lhes contou o seguinte:

“Uma senhora idosa costumava oferecer almoços deliciosos, tão deliciosos que os irmãos chegavam a orar por um convite. Antes de servir a sobremesa, ela sempre dizia: ‘Segurem seus garfos; o melhor está por vir’.

Quando ela faleceu, seus amigos seguiram seu último e estranho pedido: o de que ela fosse enterrada com os talheres nas mãos. Ela quis assim para que, aos que perguntassem a respeito, fosse dito: ‘É apenas um sinal de que ela crê que o melhor está por vir’.

A espera pelo reino dos Céus é semelhante à atitude dessa senhora”, continuou dizendo a professora. Os pratos servidos representam o anúncio das boas-novas, que é o ato de partilhar a alegria da salvação. Os garfos na mão não significam que a esperança é a última que morre, mas sim que mesmo aquele que morre, se sua esperança esteve em Deus, viverá. E como o melhor ainda está por vir, nossa humilde refeição em breve dará lugar ao banquete celeste, onde estarão todos os que aceitarem o convite para a ceia das bodas do Cordeiro”.

Tendo ouvido estas coisas, e também o sinal de que acabara o intervalo, os professores saíram um a um de volta para suas classes.

Alguns deles, riam discretamente, pois acreditavam que a volta de Cristo não passava de uma invenção da cabeça dos homens.

Outros, disfarçaram certo desgosto, pois já tinham acalentado um dia a esperança do advento de Jesus, mas hoje não gostavam de ouvir essas questões.

E outros, e não poucos, sorriram confiantemente, pois tinham uma estranha mas clara percepção de que esse evento um dia seria real. A essa certeza em coisas melhores que ainda estavam por vir eles chamavam de Esperança.

Joêzer Mendonça

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Qual é a sua religião mesmo? – Sex. 14/12

João Crisóstomo, um dos pais da igreja cristã primitiva, incomodava-se com a hipocrisia de alguns crentes que estendiam a mão ao céu em oração, mas não estendiam a mão para o pobre na terra. Havia na igreja, como há na igreja de nosso tempo, irmãos mais abastados que moravam luxuosamente, vestiam-se ricamente e comiam fartamente.

Não era a riqueza desses cristãos que perturbava João Crisóstomo, mas o desinteresse que demonstravam em partilhar a riqueza com os desfavorecidos da sociedade. Ele chegou a dizer que ficava admirado ao ver como uma rica senhora cristã passava ao largo de mendigos com o preço de várias refeições balançando em suas orelhas.

Hoje, talvez nosso problema não seja o preço das joias, mas a roupa cara, a coleção de blusas e sapatos, o carro luxuoso, a fartura desperdiçada, …

Nos tempos do profeta Miqueias, o povo cumpria os dez mandamentos, mas não praticava um só ato de misericórdia; oferecia holocaustos, mas o peso de suas balanças era uma fraude. “Os seus ricos estão cheios de violência, os seus habitantes falam mentiras” (Miq 6:10). E o profeta clamava: “O que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (6:8)

Como todo profeta, Miqueias era uma voz que clamava no deserto. Deserto de fraternidade e honestidade; um vasto pântano de hipocrisia.

Amós, outro profeta que não ficava calado, denunciava os pecados do povo: afligir o justo, aceitar suborno e rejeitar os necessitados na porta (Amós 5: 12).

No dia do culto e das solenidades, o povo estava lá. O profeta, não suportando tamanho farisaísmo, dizia que as festas religiosas, incluindo a música, eram como um barulho aos ouvidos de Deus (Amós 5:23). “Corra, porém, a justiça como as águas e a retidão como ribeiro perene” (5:24).

Em Tiago 1:27, os cristãos são alertados de que a religião pura é “visitar os desamparados em suas tribulações e guardar-se da impureza mundana”.

Muitos evangélicos dão atenção somente ao teor marxista da Teologia da Libertação. Mas aquela teologia, que vigorou nos anos 1960-1970, também orientava muitos daqueles padres e bispos a amar profundamente sua comunidade e a lutar pela dignidade do povo oprimido e marginalizado.

Nas primeiras décadas do século 20, o casal adventista Fernando e Ana Stahl viveu nos Andes como missionários. A mensagem bíblica era importante, mas eles foram reconhecidos pelo seu extremo cuidado médico e trabalho educacional em meio aos índios da região. Sua defesa daquela população encontrou ameaça e desprezo por parte das classes dominantes. Contudo, foi graças a sua obra que as leis peruanas foram modificadas para conceder cidadania aos índios.

No tempo de Amós e Miqueias, as pessoas acreditavam que Deus criara a terra e os homens. Elas também obedeciam as leis morais e cerimoniais cheios de zelo. Em nosso tempo, aceita-se o Gênesis da criação, observa-se os mandamentos bíblicos do Êxodo e prega-se as mensagens proféticas do Apocalipse. No entanto, se não tivermos amor genuíno, de nada vale o criacionismo, o dia de descanso, a profecia.

Enfim, a suma de tudo o que tens lido é essa: é tão importante valorizar Gênesis 1, Êxodo 20 e Apocalipse 14 quanto praticar a humildade e a justiça social de Miqueias 6:8 e Tiago 1:27.

Joêzer Mendonça

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A parábola do bom legalista – Sex. 07/12

Certo dia, porque é sempre em certo dia que esses eventos se dão, um grupo de alunos subiu ao andar onde seu professor corrigia provas e lhe perguntaram: “Mestre, é mais fácil um camelo entrar voando por essa janela do que um legalista ir para o céu?”

O professor, sabendo que camelos não voam e que todo legalista pensa que a lei dá asas, contou aos seus alunos a seguinte parábola: Um homem ao sair para o trabalho encontrou um livro no chão. Pegou, olhou, folheou e guardou o livro que tinha por título uma só palavra: “Lei”. E pensou: “Cristo não veio revogar a lei, mas cumpri-la. Que bom que eu já obedeço à lei, ao contrário desse meu colega de trabalho evangélico que não sabe o que é verdade.” E assim passou a semana como o legalista que era, exigindo muito, pedindo um pouco e não agradecendo por nada. Chegando o sábado, foi à igreja achando que sua observância da lei lhe dava créditos e méritos de salvação.

Outro homem ao sair para a igreja encontrou um livro igual no chão. E quase disse em voz alta: “Cristo não veio revogar a lei, mas cumpri-la. Eu procuro obedecer toda a lei, ao contrário dos meus irmãos da igreja que não sabem que estão condenados”. Chegando à igreja, mediu o tamanho da saia da irmã e o dízimo do irmão, saiu quando o grupo jovem cantou, voltou quando o pastor começou a pregar, dormiu de tarde, esperou o sol se por e foi, contrariado, levar a esposa ao restaurante.

Um terceiro homem encontrou o mesmo livro. Ele não tinha o costume de bater no peito, e por isso, disse apenas: “Cristo não veio revogar a lei, mas cumpri-la. Eu procuro obedecer toda a lei, mas não sou capaz. Como eu preciso da Tua graça, Senhor”. E assim passou a semana sendo amável e honesto. E todos achavam ótimo ter um cara tão legal por perto. Chegando o sábado, foi à igreja, e mais uma vez entendeu que legalista bom é aquele que deixa de sê-lo porque reconhece sua condição caída e obedece toda a lei por amor, e não por orgulho de se salvar ou por medo de se perder.

Sua oração de todos os dias era: “Senhor, que eu seja alguém leal à Tua casa sem ser um legalista em Tua causa”.

Tendo ouvido estas coisas, um dos alunos perguntou: “Agora o senhor vai nos dizer qual destes três agradou a Deus?”

“Não”, respondeu-lhe o professor, “agora se pergunte qual dos três é você”.

Joêzer Mendonça

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A Igreja do Sucesso e a Igreja do Serviço – Sex. 23/11

A quem nós queremos enganar? A Deus não se engana e, além disso, nosso próximo sabe muito bem quem somos. Então, só estamos enganando a nós mesmos! Quando ocorre um desastre em Santa Catarina é um corre-corre, é um help-help de emocionar! Quando o desastre é em toda aquela região acima de Minas e Brasília que muitos chamam de Norte, dá uma preguiça… já ajudei esse ano, tenho dois filhos pra criar, é pra “baiano” tomar jeito! E quando a tragédia é no Haiti ou na Ásia, é culpa do povo pagão!

“Misericórdia quero, e não sacrifícios”, já cansava de dizer Jeová ao povo ingrato e egocêntrico. Sejamos francos: nossa caridade tem hora marcada. Perto do natal, cumprimos prazos e arrecadamos toneladas com a ajuda de uma lúdica gincana. Levem minha roupa usada, tá aqui meu quilo de arroz, tomem o meu sapato velho, Jesus está tão feliz… Passou a digestão do glúten e do peru, voltamos ao nosso clube da boa vontade natalícia e assistência social agendada.

Não estou dizendo que é para abdicar desses gestos de solidariedade. Mas, a igreja é um edifício num certo espaço, uma atitude num espaço de tempo, ou um grupo de pessoas com a missão de proclamar as boas novas do evangelho e servir as pessoas?

Quando o interesse pelo edifício que chamamos de igreja é excessivo, o mundo nota um espírito de sucesso. Quando o amor pelas pessoas que frequentam, ou não, a igreja é genuíno, o mundo vê um espírito de serviço.

É muito bom saber que Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho. Mas o cristianismo da Bíblia requer mais que o chavão evangélico do ‘aceitar Jesus no coração’: “E não é isso que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com teu Deus?” (Miquéias 6:8).

Joêzer Mendonça

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