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Quando coisas boas se tornam ruins – Qua. 17/10

Quando lemos os primeiros livros da Bíblia, vemos que Deus deu ao povo de Israel muitas instruções, cerimônias e normas. Talvez o melhor exemplo disso seja o tabernáculo. Mas tudo isso não era um fim em si mesmo. Era apenas um meio de se alcançar objetivos muito superiores: desenvolver um relacionamento de amor com Deus e mostrar que a salvação acontece somente por Sua graça.

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Uma das grandes ironias da Bíblia é que todas as coisas boas dadas por Deus podem facilmente ser deturpadas. Conhecemos os confrontos de Jesus com os líderes religiosos de Sua época, que tinham transformado a religião em algo sem vida. Mas, já no Antigo Testamento, Deus alertou sobre os riscos de uma religião formal, mecânica, apenas exterior.

Muito mais do que a circuncisão da carne, Deus deseja um coração “circuncidado”, isto é, transformado, cheio da graça de Deus. “O Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o Senhor, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma” (Dt 30:6, ARA).

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Em vez de simplesmente jejum de alimentos, Deus quer que olhemos para o próximo. “O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo?” (Is 58:6-7, NVI).

Finalmente, muito mais do que sacrifícios e ofertas, Deus deseja amor e transformação interior. “Não quero sacrifícios; quero o seu amor. Não Me interesso por suas ofertas; o que Eu quero é que vocês Me conheçam” (Os 6:6, NBV).

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Os mesmos riscos ainda existem. Ellen White escreveu: “Uma religião legalista tem sido considerada a forma correta de religião para a nossa época. Mas isso é um engano. A repreensão de Jesus aos fariseus se aplica hoje àqueles que perderam o primeiro amor. Uma religião fria, legalista, jamais pode levar pessoas a Cristo, pois não tem amor. É uma religião sem Cristo. […] O culto solene, as cerimônias religiosas, a obediência exterior, o sacrifício – tudo grita ao mundo que a pessoa que pratica essas coisas se considera justa. Essas coisas chamam a atenção para o praticante, dizendo: ‘Esta pessoa tem direito ao Céu’. Mas tudo é um engano. As obras não podem comprar nossa entrada no Céu. A grande oferta que foi feita [na cruz] é ampla para todos os que creem. […] A fé em Cristo será o meio pelo qual mente e motivações corretas atuarão no cristão, e toda a bondade e espiritualidade procederão daquele que olha para Jesus, autor e consumador de sua fé” (Mensagens escolhidas, v. 1, p. 388).

Matheus Cardoso

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Onde Deus é visto – Qua. 09/10

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Deus nos ama tanto que deseja manter um relacionamento conosco. Depois da entrada do pecado, uma das principais formas que Ele encontrou de fazer isso foi o santuário. Através dele, Deus alcançava dois objetivos: relacionar-Se com os seres humanos e revelar a Si mesmo e o plano da salvação (Êx 25:8; 29:42-46). Deus desejava que o santuário cumprisse esses objetivos não apenas com o povo de Israel, mas com o mundo inteiro (Is 2:2-3; Zc 8:20-23).

Hoje, Deus está construindo um novo santuário, um novo templo, que é a igreja, a comunidade de Cristo. E ela possui os mesmos objetivos que o antigo santuário:

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1 – Relacionamento

O santuário era o centro das atividades comunitárias do povo de Israel, o lugar onde todos podiam se relacionar com Deus e uns com os outros. Aplicando essa imagem à comunidade cristã, Paulo diz:

“Não é maravilhoso? Vocês já não vivem andando sem destino, como exilados. Este Reino de fé agora é a casa de vocês, a sua própria terra. Não são mais estrangeiros nem gente de fora. Vocês pertencem ao Reino, com todos os direitos que o nome cristão permite. Deus está construindo uma casa. E, nela, Ele usa todos, independentemente de como chegamos aqui. Ele usou os apóstolos e os profetas como fundação. Agora usa vocês, colocando-os como que pedra por pedra – um santo templo construído por Deus, todos nós nele incluídos, um templo onde Deus está de fato em casa” (Ef 2:19-22, AM).

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2 – Revelação

O santuário era Deus Se revelando às pessoas; a igreja são pessoas revelando Deus ao mundo. Usando imagens retiradas do santuário israelita, Pedro escreveu aos cristãos:

“Apresentem-se como pedras para a construção de um santuário cheio de vida, em que servirão como sacerdotes, oferecendo a Deus vidas [no texto original: “sacrifícios”] aprovadas por Cristo. […] Vocês são os escolhidos de Deus, escolhidos para a alta vocação do trabalho sacerdotal e para serem um povo santo. São instrumentos de Deus para fazer Sua obra e falar por Ele, e para contar a todos quanta diferença Ele fez na vida de vocês – de nada para alguma coisa, de rejeitados para aceitos” (1Pe 2:5, 9-10, AM).

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O autor Ed René Kivitz explica, de maneira prática, como podemos ser santuário e sacerdotes de Deus, revelando, assim, o Seu caráter ao mundo:

“A igreja é também a ‘comunidade do amor’, pois todos que nasceram de novo em Cristo são desafiados a expressar o amor de Cristo, testemunhando, assim, que são, de fato, discípulos de Cristo (Jo 13:34-35; 1Jo 3:16; 4:7-21). O relacionamento com Deus é pessoal, a peregrinação cristã é comunitária e, no Evangelho de Cristo, nada, absolutamente nada, é individual. O Reino de Deus existe sob o ‘Pai nosso’, no qual se partilha o pão nosso.

“Para uma sociedade chafurdada no egoísmo e trancafiada atrás de grades, guardas e sistemas eletrônicos de segurança, a igreja deve se apresentar como ambiente fraterno, de acolhimento e reconciliação, lugar de restauração e solidariedade, onde Deus é visto na face do irmão e do próximo. Num tempo em que a solidariedade perde para a poupança e a proposta para acumular bate de goleada no apelo para compartilhar, a igreja deve ser a mesa da comunhão, ‘comum-pão’, no qual quem colhe muito não tem sobra e quem colhe pouco não tem falta” (Ed René Kivitz, Outra espiritualidade: fé, graça e resistência [São Paulo: Mundo Cristão, 2006], p. 37).

Matheus Cardoso

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Até quando, Senhor? – Qua. 02/10

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Diariamente, vemos todo tipo de injustiças sendo cometidas. Violência, corrupção, desigualdade social, sofrimento. Às vezes somos tentados a pensar que não há solução, e que o mal prevalecerá para sempre. Muitos personagens bíblicos, profetas e justos tiveram o mesmo sentimento. A Bíblia está repleta de perguntas como estas: Até quando, Senhor? Até quando existirá injustiça no mundo? Até quando o pecado e o mal parecerão triunfar? Por que as nossas orações não passam do teto?” (veja Sl 6:3; 13:1-2; 35:17; 94:3; Dn 8:13; Ap 6:10).

O profeta Habacuque teve a ousadia de verbalizar o sentimento que temos: “Ó Senhor Deus, até quando clamarei pedindo ajuda, e Tu não me atenderás? Até quando gritarei: ‘Violência!’, e Tu não nos salvarás? Por que me fazes ver tanta maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte. Por isso, ninguém obedece à lei, e a justiça nunca vence. Os maus levam vantagem sobre os bons, e a justiça é torcida” (Hc 1:2-4, NTLH).

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Do ponto de vista bíblico, a resposta para esses questionamentos se encontra no santuário. Depois de refletir intensamente sobre o problema do mal, Asafe concluiu: “Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim, até que entrei no santuário de Deus (Sl 73:16-17, NVI). O santuário é o centro de comando do Universo, o lugar onde Deus conduz a história. O santuário nos traz a melhor notícia que poderíamos receber: Deus está no controle de tudo; o mal e a injustiça terão fim.

Pensando nisso, o autor dos Salmos escreveu o seguinte: “Ouve a minha oração, Senhor! Chegue a Ti o meu grito de socorro! […] Tu, porém, Senhor, no trono reinarás para sempre […]. Tu Te levantarás e terás misericórdia de Sião, pois é hora de lhe mostrares compaixão; o tempo certo é chegado. […] Responderá à oração dos desamparados; as suas súplicas não desprezará. […] Do Seu santuário nas alturas [isto é, o santuário celestial] o Senhor olhou; dos céus observou a terra, para ouvir os gemidos dos prisioneiros e libertar os condenados à morte” (Sl 102:1, 12-13, 17, 19-20, NVI). “Do céu, trovejas Teus juízos, e a terra cai de joelhos […]. Deus Se põe de pé e corrige o mundo, salva os desafortunados da terra” (Sl 76:8-9, AM).

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Note os verbos destacados. É assim que a Bíblia descreve o santuário celestial, a sala do tribunal de Deus. Não como um lugar de pavor e medo, mas de segurança, compaixão e livramento. Na mentalidade bíblica, julgar não significa primariamente condenar, punir e destruir, mas salvar, libertar, ouvir o clamor do aflito, acabar com a injustiça, consertar o que está errado. Com essa ideia em mente, vários autores bíblicos escreveram lindas canções sobre o dia em que Deus irá julgar o mundo e pôr tudo em ordem. São cânticos que extravasam alegria e euforia. Confira apenas um exemplo:

“Cantem ao Eterno uma novíssima canção. Ele fez um mundo de maravilhas! Ele arregaçou as mangas e estabeleceu as coisas no lugar. […] Formem uma orquestra para o Eterno. Tragam um coral de centenas e milhares de vozes. […] Que o mar e seus peixes deem uma salva de palmas, e tudo que vive na terra se junte a eles! Que as arrebentações do mar gritem: ‘Bravo!’, e as montanhas harmonizem o final – um tributo ao Eterno quando Ele chegar, quando Ele vier corrigir a terra. Ele endireitará o mundo todo. Ele corrigirá o mundo e todos os que estão nele” (Sl 98:1, 5, 7-9, AM).

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Talvez você, assim como eu, pergunte: “Até quando, Senhor? Será que o mal e o sofrimento nunca vão ter fim?”. Se esse for o seu caso, aqui está a promessa de Deus para você: “Fortaleçam as mãos debilitadas e os joelhos vacilantes. Digam às almas temerosas: ‘Coragem! Ânimo! O Eterno está aqui, bem aqui, prestes a pôr tudo em ordem e reparar todo o mal. Ele está a caminho! Ele vai trazer salvação!’” (Is 34:3-4, AM).

Matheus Cardoso

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