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Liberdade, não libertinagem – Qua. 07/12

Gálatas 5.13 é o início de uma viragem importante no livro de Gálatas. Embora, até agora, Paulo vem focando inteiramente no conteúdo teológico da sua mensagem, agora vai para a questão do comportamento cristão. Como viver a sua vida, uma pessoa que não é salva pelas obras da lei? Como é a liberdade na vida de um crente? Um dos desafios enfrentados pelo ministério de Paulo era a constante possibilidade de mal-entendidos que muitas vezes acompanham a sua ênfase na graça e liberdade que os crentes têm em Cristo.

Como esforço para contornar tamanho equívoco de entendimento em sua mensagem de liberdade, Paulo adverte os gálatas para não usar a sua liberdade “como uma ocasião para a carne” (Gl 5:13). A palavra “ocasião” é interessante. Literalmente significa “o ponto de partida ou a base para uma expedição.” A palavra grega “carne” (sarx) “refere-se a inclinação e tendência na pessoa humana de viver uma completa e totalmente focado em si.” Assim, Paulo está dizendo que nunca devemos usar nossa liberdade em Cristo como desculpa ou como ponto de partida para satisfazer nossos desejos egocêntricos. Paulo diz mais: ele também menciona especificamente que a liberdade em Cristo não inclui o direito de negligenciar a lei de Deus (versículo 14). Por outro lado, a verdadeira liberdade em Cristo deve levar a uma vida de obediência (Rom. 1:05, Gal. 5:14). E, finalmente, Paulo diz que a nossa liberdade não inclui o direito de julgar os outros (Gálatas 5:15).

Paulo nos chama a viver para os outros em amor (v. 13). Liberdade, então, é “a oportunidade de amar o nosso próximo, sem entraves, a possibilidade de criar comunidades humanas com base em mútua doação, não a busca de poder e posição.”

Nossa familiaridade com o cristianismo e as traduções modernas desta passagem, muitas vezes nos leva facilmente a ignorar a extraordinária força que as palavras de Paulo passadas para os seus primeiros leitores. As palavras gregas em Gálatas 5:13, 14 indicam que o amor que motiva o serviço dedicado, não é o amor humano comum: seria impossível. O amor humano é muito condicional. No versículo 13, o seu uso do artigo (“o”) antes da palavra “amor” (em grego ágape) indica que se trata de um amor especial divino que recebemos só através do Espírito (Rm 5:5). Mas ainda mais surpreendente é o fato de que a palavra traduzida por “servir” é realmente a palavra grega que significa (douléuo) “para ser escravizado”. Por natureza, as palavras “escravidão” e “liberdade” são claramente opostos um ao outro. No entanto, Paulo as combina para descrever como tão radicalmente diferente que era para ser vivida a vida cristã. A autêntica liberdade não é a autonomia individual, mas se baseia na escravidão mútua para outro baseado no amor de Deus. Assim, não pode haver verdadeira liberdade quando buscamos viver somente para nós mesmos. Somente quando estamos realmente dispostos a perder “nossa liberdade” (Mt 16:25).

Graça e Paz!

Michael Lima

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Abba – Qua. 16/11

Em sua jornada, Cristo experimentou Deus como nenhum profeta de Israel jamais havia sonhado experimentar. Ele era habitado pelo Espírito do Pai e recebeu um nome para chamar a Deus que escandalizaria tanto a teologia como a opinião pública de Israel, o nome que escapou da boca do carpinteiro nazareno: “Abba”.

As crianças judias usavam essa forma nítida coloquial de expressão quando se dirigiam a seus pais. Como termo referente à dignidade, no entanto, seu uso era sem precedentes, não só no judaísmo, mas em qualquer outra das grandes religiões do mundo.

“Abba, como forma de se dirigir a Deus, é ipsissima voz, ou seja, expressão original e autêntica de Jesus. Somos confrontados com algo novo e estonteante. Aí reside sublime novidade do evangelho.

Jesus, o Filho amado, não guarda essa experiência para si mesmo. Ele nos chama e convida para compartilhar do mesmo relacionamento íntimo e libertador.

Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus, pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: “Abba, Pai”. O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus. Rm 8:14-16.

Pensem no amor incrível que Deus demonstrou para conosco ao permitir que sejamos chamados “filhos de Deus” – e não somos apenas chamados assim, mas de fato somos filhos de Deus. 1 Jo 3:1.

O maior presente que recebemos através do sacrifício de Cristo é a experiência com o Pai. Minha dignidade como filho de Abba é a percepção mais coerente que tenho de mim mesmo. Não sou chamado a ser filho pelo que fiz, mas pelo que Ele fez; não por quem sou, mas porque És.

Graça e Paz!

Michael Lima

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Guardiã – Qua. 09/11

Mas, antes que a fé viesse, estávamos confinados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de guia, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Gálatas 3.23-24

Paulo utiliza três palavras significativas no compêndio que iremos estudar; confinados, encerrados e guia. Entenda que o estudo desse trecho de gálatas é seriamente delicado, principalmente por Paulo trazer uma nova compreensão acerca da lei. Sendo assim, farei desse texto o mais didático possível.

Podemos ter uma visão negativa – unilateral – sobre as expressões utilizadas por Paulo no texto de estudo, mas essa visão não se confirma pelas Escrituras. Tomemos como exemplo a palavra “confinados”. Ela pode possuir tanto uma conotação negativa como “manter em sujeição” (2 coríntios 11:32), como pode ter uma compreensão mais positiva no sentido de “proteger” e “guardar” (cf. Filipenses 4.7; 1 Pedro 1:5).

O que define a forma como Paulo utiliza essas palavras – em relação à lei – é a palavra que aparece do verso 24, paidagogós. Paulo utiliza em sua argumentação uma figura muito comum na sociedade greco-romana, um escravo responsável pela formação dos filhos de seu senhor. Os garotos os tinham por mestres dos 6/7 anos até alcançarem a maturidade, além das atividades de formação intelectual, ele era responsável pela proteção e saúde do seu “pupilo”.

Para o rabino Josefo, essa função é atribuída à Caim quando o Senhor o indaga acerca de seu irmão. “E disse o SENHOR à Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador (paidagogós) do meu irmão? Gênesis 4:9 A missão de proteger seu “pupilo” era tão grande ao ponto de seu guardião, se preciso fosse, sacrificar sua vida por ele.

Paulo nos aponta para o sentido de suas palavras! Sim, a lei aponta para os nossos erros e define o que é pecado. Entretanto, ao mesmo tempo ela nos comunica o caráter perfeito de Deus e aponta para Cristo como o nosso salvador. A lei me coloca em uma posição em que somente Cristo é capaz de me remir, e somente por seus atos sou justificado.

A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9

Graça e Paz!

Michael Lima

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Confiança Cega – Qua. 26/10

Contexto

As Escrituras mostram que antes de migrar para a Palestina, Abrão teve duas residências. Passou seus primeiros anos de vida em Ur e então um longo período em Harã. Cada uma dessas comunidades foi o seu lar. Ele teve de deixar amigos, vizinhos, e parentes quando saiu de Ur e o mesmo ocorreu ao abandonar Harã.

Abrão recebeu a ordem de “renunciar às certezas do passado, enfrentar as incertezas do futuro, olhar e seguir a direção da vontade de Deus.” — Bispo Ryle. Gênesis na Cambridge Bible, pág. 155. O Senhor D’us não diz para qual terra Abrão deveria ir, nem ao menos descreve o local onde terminaria sua jornada. Uma promessa é feita não baseada no que Abrão conhecia sobre a Lei do Senhor, mas com base na enorme fé que residia Nele.

Abrão, sê tu uma bênção (bereikâ)! A forma imperativa aponta para uma consequência – “para que sejas uma bênção”. O ilustre viajante que partiu da Mesopotâmia politeísta para uma jornada que mostraria não somente características únicas do D’us que o chamara, mas a provas da enorme fé construída Nele. Ele e seus descendentes constituiriam um canal pelo qual Deus abençoaria todos os povos da terra.

O Evangelho Segundo Abraão

“O reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou.” Mateus 13.44-46

Aceitar a Cristo em sua vida é dizer que nada possui maior valor que Ele. Passamos a “considerar tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas.” (Filipenses 3.7) Se você ainda pondera sobre as “perdas” que o cristianismo causará a você, talvez seja porque você ainda não aceitou Cristo em sua vida.

Oro para que Cristo seja o seu tesouro! Lembre que “onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” Mateus 6.21

Graça e Paz!

Michael Lima

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Muito Mais que Palavras – Qua. 19/10

Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Cristo Jesus. Apocalipse 14.12

Para além de ser a confiança cega na Soberania de Cristo, fé é o submeter de sua vida aos ensinamentos e propósitos dEle. Pronto! O texto poderia acabar por aqui e o conceito de fé já teria sido explicado. Mas o alvo de nosso estudo acerca da fé já não é mais acerca de seu conceito, mas sobre sua aplicação. Conceituar a fé e debater o seu conceito é simples. Contudo, no período da história do cristianismo em que vivemos, já não podemos nos dar ao luxo de meramente debater o seu conceito.

Confiar cegamente na Soberania Divina é deixar que Ele seja Deus em sua vida. Fácil? Responda você essa pergunta. Ele é o centro de seus planos? Todas as suas atitudes são filtradas pelo consentimento dEle? Os que convivem com você conseguem ver a face dEle em sua vida? Você está satisfeito nEle mesmo em meio à dor e o sofrimento?

Você segue os ensinamentos dEle? Sério, todos eles? Devo presumir, então, que pratica simplicidade cristã, abnegado serviço, fervorosa oração, dedicado estudo, significativa caridade, sincera confissão e notória orientação. Estou correto?

Esse é o sentido do cristianismo nos últimos dias: mostrar Cristo àqueles que não o conhecem – ou o conhecem em parte.

A fé – no contexto do cristianismo que vivemos – não é apontada como um conceito abstrato, mas com um sentido de missão. Você pode ler as cartas de Paulo para esclarecer a compreensão da fé, mas será em meio as palavras de João que a missão esperada para essa fé ecoará. A perseverança dos santos é a fé – arraigada e vivida – em Jesus Cristo. Muitos mais que palavras, ela é uma vida moldada a cada dia pelo Espírito Santo.

Que a Sua fé ganhe vida no Mestre! Que ela seja um cântico de coisas simples que alguém, o Mestre, lhe contou. O Celebrar do que você não via e Sua palavra lhe revelou. Que ela seja alegria da esperança que não morre, pois Sua paz lhe encontrou.

Graça e Paz!

Michael Lima

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