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O ladrão, a grávida e o crente triste – Sex. 31/08

O ladrão

“Pessoal, prova surpresa!” – Essa frase pode representar desespero ou felicidade. Para quem estudou, tranquilidade. Para aqueles que não se importaram com os avisos do professor, tragédia.

Profeticamente, seremos pegos de surpresa, pois não sabemos quando tudo se cumprirá. Mas não devemos ser pegos despreparados.

E existe um outro fator: ao passar por uma blitz da polícia de trânsito, quem está com a documentação em dia e andando corretamente não temerá. Mas aqueles que estão fora da lei sentirão o coração disparar de medo ao ser surpreendido pelos cones e apitos depois da curva.

Após pagar várias multas por estar em situação irregular, um amigo resolveu colocar a documentação do carro e sua habilitação em dia. Então, confiantemente, ele parou de propósito numa blitz e pediu que um policial examinasse sua documentação! E ele fez isso com satisfação e confiança.

Ousadia e falta de noção à parte, isso demonstra o espírito de quem está preparado: não vive assombrado com a possibilidade de cair numa blitz.

Se Jesus voltasse amanhã, você tem a sensação de que estaria pronto?

A grávida

Paulo, no entanto, também compara os eventos finais às dores de parto. Raramente se vê uma mulher dar a luz sem ter percebido que estava grávida, completamente de surpresa. Até existem casos de mulheres que não sabiam da própria gravidez e, de repente, dão a luz a um bebê. Mas o normal é que a mulher esteja esperando, e ao sentir as contrações fique na expectativa de ver o filho a qualquer momento.

Essa ilustração serve para ensinar que a surpresa não será “completa”. Existem avisos, sinais que estão sendo dados. E esses sinais se intensificam, como as dores de parto, quanto mais próximo está o “nascimento”. Será um evento surpresa para quem ignora as “contrações”.

“O mundo que age como se não houvesse Deus, absorto em empreendimentos egoístas, cedo sofrerá repentina destruição e não escapará… Por meio de danças, farras, bebedices, do vício de fumar e da satisfação das paixões sensuais, eles seguem como bois para o matadouro” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 26).

O crente triste

“A massa dos cristãos professos… [está] vivendo para o mundo. Sua fé não tem senão uma pequena influência para restringir seus prazeres. Conquanto professem ser filhos da luz, andam em trevas e são filhos da noite e das trevas” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 1, p. 404).

Esse texto apresenta a vida sem graça, desgraçada, de muitos crentes. Eles não tem fé suficiente para serem considerados cristãos de verdade. Mas também não conseguem viver a “plenitude” das trevas, pois ainda restringem seus prazeres (geralmente são “crentes tristes”). Assim, eles se enganam.

E o pior é que essa classe representa a “massa dos cristãos professos”. Boa parte dos crentes vive num ateísmo prático, em desacordo com o que conhecem.

Não seremos salvos pelo conhecimento teórico. Por isso, é importante saber sobre os eventos finais e viver de acordo com esse conhecimento.

“E sejam praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” Tg 1:22

Vanessa Meira

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Luto: transformando a tristeza em verbo – Sex. 24/08

A morte é vencida não apenas pela ressurreição, mas também por uma biografia digna (Ap 14:13). Em vez de ficarmos paralisados diante da real possibilidade de morrermos, deveríamos aproveitar cada momento da vida. E em vez de abaixarmos as armas diante da morte de alguém amado, deveríamos lutar com mais ardor a fim de apressar o reencontro. A Bíblia nos dá farto material para transformarmos nosso luto em força para lutar.

A morte vai morrer

“O último inimigo a ser destruído é a morte” (1 Co 15:26)

A vitória de Jesus sobre a morte se dá em dois níveis: ele a derrotou, e agora ela será destruída.

Assim como um lutador de jiu-jitsu imobilizado por um “armlock” e prestes a “bater” em sinal de desistência, a morte está dominada e é uma questão de tempo até a luta acabar de vez.

Mas entre a vitória na cruz e a aniquilação da morte, ainda haverá velórios e enterros.

6 de junho de 1944, o “Dia D”, é conhecido como o dia em que a 2ª Guerra Mundial praticamente terminou. No entanto, entre o “Dia D” e a rendição final dos inimigos houve um ano de batalhas sangrentas. Nosso “Dia D” foi a cruz, mas a rendição completa da morte acontecerá após a consumação de tudo.

Em quase todos os lares, há um lugar vazio à mesa, roupas que falam de alguém que não mais existe, sapatos que relembram pessoas que amamos, fotos que nos fazem suspirar de saudade…

Felizmente, aproxima-se o dia em que o Rei dos reis e Senhor dos senhores “destruirá a morte para sempre. O Soberano Senhor enxugará as lágrimas de todo o rosto e retirará de toda a terra a zombaria do seu povo. Foi o Senhor quem disse!” (Is 25:6-8)

Um dia, a própria morte, último inimigo, cairá de joelhos diante do Senhor da vida.

“[Eu sou] aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1:18)

O caminho para a maturidade pode passar pelo vale da sombra da morte.

O cristianismo plastificado, de autoajuda (e autoengano), não resiste a uma tragédia inexplicável e sem sentido. Diante de tragédias fatais surgem muitas dúvidas, mas também muitas verdades. E é por isso que tragédias podem nos tornar maduros, crescidos.

Diante de tragédias fatais, perdemos as referências, pois a morte zomba de nossas explicações simplistas e ri dos nossos clichês evangélicos. O sofrimento diante da morte pode nos ensinar o valor de perdoar e pedir perdão.

O sofrimento nos coloca de joelhos, rosto em terra, em clamor e oração. Faz com que nossos olhos procurem os céus.

“Exultai, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (I Pe1:6-7).

O sofrimento vai ter uma explicação definitiva

Na eternidade, descobriremos que alguns de nossos maiores males e dores foram nossas maiores e melhores bênçãos na Terra. Mas até lá, devemos viver pela fé. E a fé nem sempre significa ter todas as respostas, pois a relação com Jesus não é uma relação de perguntas e respostas, mas de confiança.

O oposto da fé não é a dúvida intelectual, é o medo, a falta de confiança. Eu posso não entender tudo, não saber explicar, mas eu confio mesmo assim, mesmo sem entender completamente.

Diante da morte nem sempre existem explicações, e talvez elas nem sejam necessárias. Quem sofre diante de um túmulo jamais chora em vão, pois Deus também conheceu a dor da morte. E quando cremos nesse Amor que a tudo criou, perdemos o medo da morte e ela não tem mais domínio sobre nós. Assim, transformamos o “luto” em verbo.

Vanessa Meira

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Santidade começa com um “sim” – Sex. 17/08

A entrada do pecado no mundo estragou tudo, inclusive a sexualidade. Estamos afundando numa cultura que gasta mais dinheiro com pornografia do que com coisas essenciais como educação e cultura. Paulo denunciou as pessoas do seu tempo por adorarem seu estômago como se fosse um deus. Hoje em dia, parece que o deus do século encontra-se anatomicamente um pouco mais abaixo.

Ao criar o sexo, Deus pensou em algo que promoveria a unidade de um homem e uma mulher, praticado exclusivamente dentro do casamento. Assim, por definição, tudo que contradiz ou contribui para o fracasso dessa intenção de Deus é pecado.

Portanto, podemos afirmar que a imoralidade (que inclui a pornografia), a homossexualidade, a bestialidade, a bissexualidade, a fornicação, a “amizade colorida”, o adultério, a prostituição, o estupro, a poligamia, a pedofilia ou qualquer outra coisa que fuja do claro ensino bíblico é pecado. Então temos uma luta a travar, mas a santidade não começa com a vigilância e o dizer “não”. Ela inclui essas coisas, mas começa com um “sim” para Deus.

Um cuidado ignorado

Já sabemos que devemos vigiar as “entradas da alma”, cuidar com o que lemos, vemos, ouvimos, etc. Além disso, somos constantemente orientados a termos cuidado com os “mundanos”, pois eles podem nos contaminar com a sua perversão. Mas quero destacar algo pouco comentado: devemos cuidar com os amigos da igreja.

Como cristãos, geralmente olhamos para “fora”, para o “mundo” com suspeita, pois para nós eles são os impuros nessa área, e nós somos os limpos. Mas Paulo afirma: “Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo. Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral (…)” 1 Co 5:9–11.

Isto é radical! Significa que qualquer pessoa que se declare cristã, mas viva em imoralidade sexual não deve fazer parte de nosso círculo de amizade. Paulo vê, ao contrário de nossa visão “bonzinhos-para-cá, mauzinhos-para-lá” que o risco de contaminação está dentro de nossos muros.

E ele acrescenta que os imorais “não herdarão o Reino de Deus” 1 Co 6: 9-10. Assim, o adventista que gosta de ver e falar sobre cenas “quentes” certamente vai sentir o calor do inferno. E quem se associa com esse tipo de hipócrita terá o mesmo destino.

Problema mental

A Bíblia proíbe a prática sexual pecaminosa, mas inclui também os pecados da mente. É possível um cristão monogâmico possuir um harém mental de fazer inveja a Salomão. É possível uma cristã “certinha”, exteriormente recatada, construir roteiros mentais tão depravados que fariam Casanova corar de vergonha.

Por isso, Jesus ensinou que o pecado sexual inclui não apenas o fazer, mas também o pensar (Mt 5: 27- 28). Ele deixou claro que “do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez” (Mr 7:21–23).

Concluímos que os pecados sexuais não estão lá fora – onde costumamos bater mais forte – na mídia, nas músicas, nas novelas e filmes ou nas “periguetes”. Esses são os anzóis e iscas que se aproveitam de um problema interno; a nossa fome por imoralidade. Na realidade o problema encontra-se dentro de nós, e é ali que ele deve começar a ser resolvido. É da pecaminosidade do nosso coração que a luxúria e o pecado procedem. Assim, antes de sair dizendo não ao pecado (o que é necessário), é preciso dizer “sim” para Deus e experimentar um novo nascimento. Santidade e pureza sexual começam com um “sim”!

Vanessa Meira

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Fé na prática – Sex. 27/07

A verdadeira fé se manifesta de maneira prática. A ênfase da fé cristã sempre está na ação, e não em ideias abstratas. Apesar da salvação ser pela graça e não por obras, ela se torna visível em obras, existe um “trabalho da fé”. A fé bíblica é uma fé bem ocupada e se manifesta de maneira constante, não em espasmos isolados de bondade.

Se não há diferença visível entre quem tem fé e quem não tem, então estamos nos satisfazendo com uma forma de piedade sem o Espírito e o poder, e “a religião formal não serve para este tempo” (Ellen White, Evangelismo, 169-170).

A manifestação do evangelho não consistia apenas em palavras e discursos, mas em poder espiritual.

Certamente, o ministerio de Paulo entre os tessalonicenses foi acompanhado de muito trabalho, sinais e milagres. “Nossa fé deve significar alguma coisa mais definida, mais decidida, mais importante” (Ellen White, Mensagens escolhidas, vol 1, 91).

A igreja se ajudava mutuamente, cada membro se preocupava com o bem-estar do outro. Isso mostrava a genuinidade da conversão deles. A igreja é a comunidade de discípulos de Jesus. A salvação é individual, mas a caminhada no discipulado é coletiva, comunitária. O cristianismo respeita a individualidade, a pessoalidade, mas não conhece o individualismo.

Esperança ativa – A palavra “esperança” pode trazer um conceito de passividade, de espera de braços cruzados. Não é assim no Reino de Deus.

A “esperança” cristã não é um otimismo vago nem mero pensamento positivo inerte. É uma esperança centralizada e Jesus e sua obra.

Podemos suportar o sofrimento com paciência por causa da glória futura. A esperança é a âncora da alma (Hb 6:19). Os tessalonicenses não esperavam a volta de Jesus ociosamente. Combinavam a espera com atividade, na expectativa de que Jesus voltasse ainda em seus dias.

Sejam meus imitadores – É comum ouvirmos no meio cristão frases como: “eu não sou exemplo para ninguém!” Mas parece que esse é mais um conceito não-bíblico que os cristãos assumiram. Paulo se considerava um exemplo. E ele incentiva o jovem Timóteo a ser também um exemplo, modelo, padrão para os fiéis (1 Tm 4:12).

Paulo não deixou apenas um exemplo humano para os tessalonicenses. Ele os ajudou a serem imitadores de Jesus, o exemplo perfeito. Como era um seguidor de Jesus, Paulo sem arrogância alguma se coloca como alguém digno de ser imitado, pois quem o imitasse estaria imitando a Cristo.

Os crentes devem ter como modelo a vida dos apóstolos e a vida de Jesus. E eles mesmos também se tornem modelos e exemplos para que outros cristãos imitem.

Vanessa Meira

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